Morre o ex-presidente argentino Fernando de la Rúa
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quarta-feira, 10 de julho de 2019
Sylvia Colombo – Folhapress 
Buenos Aires - O ex-presidente argentino Fernando de la Rúa morreu nesta terça-feira (9), aos 81 anos, em decorrência de uma doença cardíaca. No início do ano, fez uma cirurgia para colocar três stents. Depois, passou por uma traqueostomia. Encontrava-se, desde então, internado na clínica Fleming, em Buenos Aires. Na segunda-feira, a equipe médica que cuidava do ex-mandatário informou que seu estado era "muito grave, com uma descompensação cardíaca e renal". Também afirmaram que De la Rúa, sedado, passara a respirar por meio de aparelhos. Além dos problemas cardíacos, ele fazia tratamento oncológico.

Nascido em Córdoba, governou o país de 10 de dezembro de 1999 a 21 de dezembro de 2001. Foi o mais recente governante argentino proveniente da União Cívica Radical, partido histórico no país e que hoje integra a base de apoio da aliança governista Cambiemos, do atual presidente, Mauricio Macri. De La Rúa também foi o protagonista de uma das maiores crises político-econômicas da história argentina. Tanto que a imagem mais famosa relacionada a ele é a de sua saída da Casa Rosada, de helicóptero, poucos momentos depois de renunciar, pressionado por inquietação social que causou 39 mortes e deixou mais de 400 feridos.
Terminava aí sua participação na imensa tormenta que tomou o país naquela época e que prosseguiu por meses. A economia argentina se recuperaria apenas anos depois. O início da crise já havia ocorrido no fim do governo de seu antecessor, o peronista Carlos Menem (1989-1999), famoso pela política neoliberal de amplas privatizações e imposição da Lei da Convertibilidade, que fazia com que um peso valesse um dólar.
No começo, o plano deu certo, com redução da inflação e grande satisfação popular. Produtos importados e passagens aéreas, por exemplo, tornaram-se acessíveis à população. O modelo, porém, não se sustentou, porque dependia de grande entrada de dólares no país. A princípio, esses vieram, principalmente, por meio das privatizações. Depois, passaram a escassear, causando aumento da dívida externa.
Tudo isso explodiu nas mãos de De la Rúa e de seu chefe da economia, Domingo Cavallo, que havia sido ministro de Menem e depois foi convocado às pressas no fim do mandato de De la Rúa para tentar resolver o que já não tinha remédio. Veio então o "corralito" - tentativa de conter a retirada em massa de dinheiro dos bancos por parte dos cidadãos, que viam a desvalorização do peso se aproximar.
A tensão nas ruas aumentou. Protestos danificaram carros, lojas e bancos. De la Rúa tentou conter a turba anunciando toque de recolher e colocando as forças de segurança para reprimir manifestantes. Com a situação insustentável, renunciou, lançando a Argentina em mais de uma década de incertezas.
Eleito por uma aliança de partidos de centro e centro-direita, começou o mandato com bastante apoio popular, tendo sido antes chefe de governo da cidade de Buenos Aires. Depois de sua renúncia como presidente, porém, retirou-se da vida pública e, ao voltar para a Argentina, passou a responder na Justiça por questões relacionadas ao seu mandato. A principal foi a acusação de ter pago subornos ao Senado para aprovação de leis. A outra, pelas mortes na repressão policial nas turbulências de 2001. Foi absolvido em ambos os processos.


