Morre no Chile cardeal que enfrentou Pinochet
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sexta-feira, 09 de abril de 1999
France-Presse 
O cardeal emérito do Chile Raúl Silva Henríquez, que assumiu a defesa dos perseguidos e denunciou as violações aos direitos humanos durante o regime do general Augusto Pinochet, morreu ontem em Santiago, informou um comunicado oficial na capital chilena.
Dom Silva Henríquez, de 91 anos, morreu na casa de repouso dos salesianos, ordem a que pertenceu desde que foi ordenado sacerdote, em 1938.
Sofrendo de uma infecção pulmonar, o cardeal entrou em coma profundo na noite de terça-feira, e teve uma parada cardíaca ontem, segundo o boletim médico.
Silva Henríquez foi cardeal e arcebispo de Santiago entre 1962 e 1983, participou do Concílio Vaticano II, incentivou a reforma agrária nos fins dos anos 70 e propiciou o diálogo da sociedade chilena para evitar uma guerra civil em 1973, durante o governo do presidente socialista Salvador Allende.
Mas sua figura adquiriu contornos de liderança, à parte da Igreja Católica, depois do golpe militar de 11 de setembro de 1973, que instalou no poder, até março de 1990, o regime do general Augusto Pinochet, detido em Londres há quase seis meses.
Durante esses anos, Silva Henríquez proclamou que os direitos humanos são sagrados, defendeu a reconciliação e fundou o Vicariato da Solidariedade, para acolher os perseguidos e receber os depoimentos e denúncias que surgiam da repressão.


