Morre Christiaan Barnard, pioneiro dos transplantes de coração
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de setembro de 2001
France Presse 
O médico sul-africano Christiaan Barnard, primeiro cirurgião a realizar um transplante de coração no mundo, morreu ontem no balneário de Paphos, na ilha de Chipre.
Aos 78 anos de idade, o Barnard morreu ao dar entrada no hospital de Paphos, às 13h15 locais de sábado, afirmaram as fontes, acrescentando que ainda eram desconhecidas as causas da morte.
Ele desmaiou na beira da piscina do luxuoso hotel em que se hospedava, o Coral Beach, no lado oeste da ilha mediterrânea.
Barnard, que viajava regularmente ao Chipre, estava sozinho no hotel, onde ficaria uma semana.
O primeiro transplante de coração foi realizado por Barnard no dia 3 de dezembro de 1967, no hospital Groote Schuur da Cidade do Cabo. O cirurgião implantou nesse dia o coração de uma jovem de 25 anos, morta num acidente de trânsito, num paciente de 53 anos, Louis Washkansky, que chegou a sobreviver 12 dias.
Essa intervenção fez dele, em menos de 24 horas, uma celebridade.
Mas, além de suas realizações profissionais, Barnard foi durante anos astro da imprensa popular, uma vez que o cirurgião que possuía o físico de um artista de cinema e era também um grande sedutor.
Após a primeira tentativa, Barnard e sua equipe multiplicaram os transplantes, permitindo a pessoas cardíacas viver mais um pouco. Suas atividades médicas, encerradas em 1983, lhe valeram inúmeros títulos e prêmios.
Filho de um pastor evangélico, Chris Barnard nasceu a 8 de novembro de 1922 em Beaufort West, uma pequena cidade do sudoeste da África do Sul. Começou a carreira médica no hospital de Groote Schuur, tendo completado a especialidade em cardiologia nos Estados Unidos, em 1958, na Universidade de Minesota, em Minneapolis.
A cirurgia realizada em 1967 foi o início de uma vida privada movimentada. Sua primeira mulher, Aletta Louw, pediu o divórcio dois anos após o primeiro transplante realizado por Barnard que não fez mistério, em sua autobiografia, das inúmeras conquistas.
Em 1970, casou-se com Barbara Zoellner, uma herdeira de 19 anos, com quem ele teve dois filhos e de quem se divorciou em 1982. Em 1988, ele se casou com Karin Setzkorn, de apenas 18 anos, quando ele já estava completando 66 anos. Também tiveram dois filhos, até o divórcio, em 2000.


