Derrick Ceyrak/France PresseBurroughs, em foto feita em Paris em 1984O escritor americano William Burroughs morreu sábado aos 83 anos em um hospital de Kansas City (EUA). Burroughs era o romancista mais inventivo da ‘‘Beat Generation’’ americana, da qual era uma de suas grandes figuras, desde a morte em abril passado de seu amigo Allen Ginsberg.
Famoso por seu romance ‘‘Naked Lunch’’ (1959), William Burroughs participou na emergência de um novo tipo de cultura americana do pós-guerra, com outros escritores importantes como Jack Kerouac, Lawrence Ferlinghetti e Gregory Corso.
Desde ‘‘The Soft Machine’’ (1961), passando por ‘‘Junkie’’ (1953), um romance-verdade sobre o mundo da toxicomania, o aventureiro Burroughs desenvolveu um universo deliberadamente grotesco, fantasmagórico e de zombaria.
Sem jamais esconder seu gosto pelos alucinógenos e sua homossexualidade (‘‘Queer’’), William Seward Burroughs, o ‘‘homem do sombrero’’, influenciado por Louis-Ferdinand Céline, pelos surrealistas franceses e pela ficção-científica, foi o escritor da linguagem dura e cheia de invenção.
Ex-barman, detetive privado, amante das armas de fogo - matou sua mulher Joan Vollmer - Burroughs influenciou o mundo do rock (de David Bowie a Kurt Cobain, que se suicidou no ano passado) dos anos 70 em diante, assim como um certo tipo de cinema e de pintura.
Burroughs, como bom ‘‘beatnik’’, rejeitou a sociedade americana de consumo, inventando ao mesmo tempo uma escritura, um vocabulário e uma maneira de viver pela qual todos os extremos eram permitidos.

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