São Paulo- O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou a maior reforma ministerial de seu governo, logo após comemorar seu primeiro ano no cargo. Os sete novos ministros, de um total de 16, dão um perfil menos indígena e mais mestiço ao gabinete, mas a representação da região mais rica do país, a oposicionista Santa Cruz de la Sierra, continua mínima.
Morales aproveitou para se desfazer de ''ministros-problema''. O anterior ministro da Educação, um intelectual indígena que tinha se desentendido com a igreja por defender um ensino completamente laico, foi substituído por um líder sindical do Partido Comunista.
A ministra do Interior, Alicia MuÀoz, responsabilizada pela violência recente em Cochabamba - quando houve uma divisão dentro dos movimentos sociais que apóiam Morales -, foi substituída pelo moderado Alfredo Rada, que era vice-ministro de Coordenação dos Movimentos Sociais.
A mudança no ministério mostra uma rotação na representação dos vários movimentos sociais que formam a base de Morales. O número de líderes indígenas diminuiu e o de sindicalistas aumentou. Outros ministérios que mudaram de titular foram Desenvolvimento Rural, Trabalho, Planejamento, Justiça e Obras Públicas.
O ex-candidato presidencial Samuel Doria Medina, opositor, elogiou o fato de haver, segundo ele, ''mais profissionais eficientes e menos símbolos''. ''É interessante como aumentou o número de mestiços. É um bom sinal para os mais radicais, que só queriam aymarás (grupo do próprio Morales)''.

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