São Paulo- A três semanas do prazo final para a redação da nova Carta Magna da Bolívia, o partido governista MAS (Movimento ao Socialismo) retomou ontem as sessões da Assembléia Constituinte em um recinto militar a 8 km do centro de Sucre. A sessão ocorreu em meio a violentos confrontos entre policiais e manifestantes antigoverno e sem a participação da oposição.
A convocação no quartel foi decidida pela líder do MAS, Silvia Lazarte, após as nove tentativas de retomar os trabalhos no teatro Gran Mariscal, sede oficial da Constituinte, que foram frustradas por protestos. Ontem, grupos pró e contra o governo se enfrentaram no local dos trabalhos, mas foram contidos pela polícia.
Apesar do boicote da oposição, o MAS conseguiu reunir 145 membros da Constituinte, acima do quórum mínimo (128 do 255 membros) para os trabalhos. A sessão estava marcada para as 14h locais (16h de Brasília), mas teve atraso de mais de duas horas.
Milhares de cidadãos de Sucre saíram às ruas em protesto contra a convocação, que ocorreu sem a inclusão do polêmico tema da definição da capital boliviana na agenda. A Constituinte não consegue funcionar desde 15 de agosto, quando foi derrubada uma proposta para discutir justamente a transferência dos Poderes Legislativo e Executivo de La Paz para Sucre -que já abriga a sede do Judiciário. A Assembléia Constituinte não conseguiu aprovar nenhum artigo em 15 meses.

mockup