Morales nomeia gabinete com mulheres e sindicalistas
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terça-feira, 24 de janeiro de 2006
Folhapress 
São Paulo- Quatro mulheres e vários sindicalistas e intelectuais de esquerda estão entre os nomes que foram anunciados ontem para compor o gabinete de 16 ministros do presidente da Bolívia, Evo Morales.
A identidade da equipe de governo, que Morales manteve em segredo até o último instante, foi revelada em um ato no Palácio de Governo de La Paz. Vestido de maneira informal, com seu já célebre suéter, Morales pediu a seu gabinete que cumpram o ''mandato do povo para mudar o modelo neoliberal e resolver democraticamente os problemas estruturais e sociais do país''.
O presidente pediu a seus ministros que ''entendam que a política é a ciência de servir ao povo''. ''Ser autoridade é servir ao povo e não viver do povo. E, nesse contexto, quero lhes pedir, pessoalmente, em nome do povo boliviano, zero de corrupção, zero de burocracia'', enfatizou.
Sem qualquer experiência na diplomacia boliviana, o recém nomeado chanceler David Choquehuanca pertence ao círculo íntimo do presidente Morales e, além de dominar vários idiomas, tem uma forte relação com organizações não-governamentais européias.
O novo gabinete inclui dois ministros oriundos de Santa Cruz, o empresário Salvador Riera e o advogado socialista Hugo Salvatierra, que ocuparão os Ministérios de Serviços e Obras Públicas e de Assuntos Indígenas, respectivamente.
O presidente confiou a relação com as petroleiras ao advogado e jornalista Andrés Soliz Rada, um antigo líder de esquerda defensor dos recursos naturais.
Para o Ministério do Desenvolvimento Sustentável, Morales nomeou o economista de esquerda Carlos Villegas. Um representante das comunidades de moradores da combativa cidade de El Alto, a mais empobrecida do país, Abel Mamani, foi designado para o Ministério da Água, recém-criado.
Quatro mulheres também integram o gabinete de Morales, o primeiro indígena a ocupar esse cargo em 180 anos de vida republicana. Entre elas, está Alicia Munoz, a primeira mulher a ocupar o Ministério do Governo (Interior) na história republicana.
Outra mulher do gabinete de Morales é Nila Heredia, ex-chefe do Colégio de Médicos e do Serviço Departamental de Saúde de La Paz, ativista social e exilada durante a ditadura de Banzer (1971-1978). Heredia será ministra da Saúde, enquanto Casimira Rodríguez estará à frente do Ministério da Justiça.


