Cisjordânia- Dezenas de colonos judeus entraram em choque ontem com soldados israelenses enviados para desmantelar a colônia judaica Mitzpe Yitzhar, na Cisjordânia, poucas horas depois de um homem-bomba palestino ter matado um comerciante no norte de Israel.
Líderes de colonos judeus planejavam transformar a resistência ao desmantelamento de Mitzpe Yitzhar em vitrine de sua oposição ao plano de paz apoiado pelos EUA, que visa à criação de um Estado Palestino até 2005. Eles chamavam colonos de toda a Cisjordânia para se reunirem no local e bloquear o desmantelamento.
A primeira ação de Israel contra uma colônia judaica habitada e construída sem a aprovação do governo -uma obrigação-chave determinada pelo plano de paz- acontece um dia antes de o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, chegar ao país para apoiar o processo de paz.
No início, soldados tentaram afastar alguns dos 200 manifestantes que se reuniram no local -não ficou claro quantas pessoas viviam ali-, mas a situação ficou paralisada depois que os ocupantes sentaram em uma estrada para impedir o tráfego de veículos militares.
Ao menos dois jovens subiram em um veículo militar antes de serem imobilizados por soldados. ''Neste momento, estamos tentando acalmar as pessoas e fazê-las entender que esta é uma luta pela Terra de Israel, e não (...) uma guerra entre irmãos. Somos todos irmãos'', disse o colono rabino Elyakim Levanon. ''Para cada colônia desmantelada, outras duas aparecerão nesse local.''
''No dia em que um judeu é morto e em que se enterra uma menina de 7 anos, não se tira judeus da Terra de Israel'', afirmou Levanon, referindo-se ao atentado a bomba e à morte de uma criança por atiradores palestinos na terça-feira.
Dezenas de colônias judaicas, a maior parte deles vazia, espalham-se pela Cisjordânia, como parte dos esforços dos ocupantes para estender o alcance dos assentamentos estabelecidos em terras que Israel ocupou na guerra do Oriente Médio de 1967.
O plano de paz diz que as colônias construídas depois de março de 2001 devem ser abandonadas.
Um israelense morreu na manhã de ontem em um atentado suicida na região de Beit Shean, no norte do Vale do Jordão, em Israel, disseram fontes médicas.
O palestino suicida explodiu uma bomba em um restaurante da cidade de Sdé Trumot, próxima a Beit Shean. A explosão matou o dono do estabelecimento. O braço armado do grupo extremista palestino Jihad Islâmico reivindicou o atentado suicida de ontem.
O ataque ocorreu após o primeiro-ministro palestino, Abu Mazen, tentar sem sucesso ontem uma trégua com os líderes dos grupos extremistas palestinos Hamas e Jihad Islâmico.
O secretário de Estado dos EUA, Collin Powell, disse que via sinais de progresso na relação entre israelenses e palestinos a respeito de um acordo de segurança na parte norte de Gaza. Ao falar a repórteres em Bangladesh, aproveitou para condenar os atentados a bomba em Israel. Ele deve reunir-se hoje com os premiês israelense e palestino, dando continuidade ao encontro de paz que tiveram com o presidente norte-americano, George W. Bush, em 4 de junho, em Ácaba, na Jordânia. Desde então, mais de 50 pessoas já foram mortas, em uma onda de violência.

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