Moradores deixam Dili sob ameaça das armas
Bernard Estrade
France Presse
Jacarta
Os moradores de Dili, capital de Timor Leste, foram obrigados a deixar a cidade em caminhões do exército indonésio sob a ameaça de fuzis rumo a um destino desconhecido. Até funcionários das Nações Unidas deixaram a cidade.
Monsenhor Carlos Belo, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, o porta-voz da Missão das Nações Unidas para o Timor Oriental e os poucos jornalistas que tentam continuar registrando a situação chegaram à mesma conclusão: o exército e a polícia são os responsáveis pelas operações. Para os analistas, a operação, com matizes de limpeza étnica sistemática, planejada e organizada há tempos não está ao alcance dos milicianos.
O general Wiranto, comandante em chefe do exército e ministro da Defesa, anunciou o envio de 6 batalhões adicionais, isto é, pelo menos 3,6 mil homens. Atualmente, há em Timor Leste, que possui menos de 16 mil quilômetros quadrados e não chega a ter um milhão de habitantes, mais de 10 mil policiais e entre 12 e 15 mil soldados.
Os militares e as milícias ocupam a cidade. Todo o mundo deixa suas casas, sob ameaça e estas são incendiadas, declarou monsenhor Carlos Ximenes Felipe Belo, bispo de Dili. Teme-se que aconteça o mesmo que em 75, quando mais de 200 mil pessoas um quarto da população da ex-colônia portuguesa na época morreram durante os primeiros anos da ocupação. A diplomata portuguesa Ana Gomes comenta que o segundo genocídio anunciado por Xanana Gusmão, o dirigente separatista, já começou.





