Moradores da fronteira temem ataque das Farc
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de setembro de 2000
Associated Press De Tabatinga 
Assustada e com medo. É como vive hoje a população das cidades, vilas e vilarejos ao longo da fronteira do Brasil com a Colômbia, de aproximadamente 1.500 quilômetros. Além de isolados na selva amazônica, sem muitas perspectivas, os habitantes da área na maioria, índios temem ser atacados por guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que dominam boa parte do território colombiano, e piratas ligados a traficantes colombianos e peruanos.
Temendo ataques das Farcs, fato que as Forças Armadas brasileiras descartam, centenas de pessoas abandonaram a área de fronteira para morar em regiões próximas das cidades. Tabatinga, Benjamim Constant e São Gabriel da Cachoeira são os refúgios preferidos. A revoada, entretanto, não se restringe aos brasileiros. Famílias inteiras de colombianos também já optaram pelo Brasil. Este ano, segundo cálculos de funcionários da Prefeitura de Tabatinga, mais de 400 famílias aportaram na cidade.
O pescador Jair dos Santos Sampaio, de 40 anos, que vive atualmente em um vilarejo às margens do Solimões (a 30 quilômetros de Tabatinga), morava próximo à Vila Bittencourt, uma vila no meio da selva entre Tabatinga e a área conhecida como Cabeça do Cachorro, em São Gabriel da Cachoeira. Há seis meses, Sampaio abandonou o lugar, onde existe um pelotão do Exército com cerca de 50 homens. Ele é pai de oito filhos e temia que alguns fossem sequestrados pelos guerrilheiros para ingressar nas milícias das Farc, a exemplo do que acontece na Colômbia.


