Montesinos foge e pede asilo ao Panamá
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de setembro de 2000
Associated Press e France Presse Da Cidade do Panamá 
O vice-chanceler do Panamá, Harmodio Arias, confirmou ontem que Vladimiro Montesinos, ex-assessor de inteligência do presidente peruano Alberto Fujimori, está em território panamenho e que o governo deste país decidiu reconsiderar sua recusa da véspera e estuda a possibilidade de lhe conceder asilo político.
O senhor Montesinos está no Panamá e esta é a notícia, disse Arias a jornalistas locais, acrescentando que o ex-assessor chegou na madrugada de ontem ao Panamá e que o governo está avaliando a petição.
Arias disse que o Panamá está avaliando a solicitação levando em conta o fato de que vários chefes de Estado do hemisfério os quais ele não identificou pediram ao governo que reconsiderasse sua recusa em conceder asilo político a Montesinos para facilitar o processo democrático no Peru.
O paradeiro do ex-chefe de segurança permaneceu um mistério desde 14 de setembro, quando foi divulgado pela televisão um vídeo no qual Montesinos aparece entregando dinheiro a um deputado, caso denunciado pelos opositores como suborno. O fato levou Fujimori a anunciar que convocaria eleições e não se candidataria.
O golpe final para Montesinos foi o reinício do diálogo entre a oposição, o governo e a sociedade civil, promovido pela OEA, que levou o presidente a se comprometer com uma resolução na qual afastava Montesinos das funções.
A partir desse momento o governo Fujimori começou uma corrida contra o tempo para tirar Montesinos do país, para que não fosse alcançado pela oposição, que exigia a prisão dele e seu julgamento por crimes, violações aos direitos humanos, sequestros e corrupção. Depois de várias negociações, Montesinos saiu de Lima de madrugada de ontem para o Panamá.
Montesinos, ex-capitão do Exército e advogado, foi considerado pelo próprio presidente peruano o principal mentor dos planos contra a guerrilha e o narcotráfico a partir do SIN, que manejava sem nenhum tipo de controle.
Fujimori sempre atribuiu ao ex-assessor um lugar preferencial em seu gabinete, desde a primeira eleição em 1990, recordou Francisco Loayza, ex-membro do SIN.
Montesinos ingressou no serviço secreto pela janela e preferiu manter-se fora do alcance público para evitar ser investigado e castigado por outro governo, acrescentou Loayza, autor de El rostro oscuro del poder, uma monografia sobre o assessor.
De talhe e compleição média, perfil aquilino e olhar direto, Montesinos tem um sotaque provinciano. Nasceu em Arequipa, nos Andes peruanos do sul, há 55 anos.
A Justiça liberou duas vezes Montesinos de acusações de enriquecimento ilícito, sem que nunca fossem investigadas essas denúncias.
Foi expulso do Exército e condenado a um ano de prisão na década de 70, sob a acusação de passar informação militar reservada à Agência Central de Inteligência (CIA) americana.
Recentes denúncias da oposição asseguram que o ex-assessor possuía uma videoteca de 2.500 fitas que registram ações de chantagem, suborno e situações comprometedoras de militares e civis.


