Vladimiro Montesinos, outrora temido chefe de inteligência que já trabalhou estreitamente com a CIA e construiu um império de corrupção, retornou ontem ao Peru para enfrentar acusações de violação dos direitos humanos e corrupção depois de ter sido capturado na Venezuela. E chegou sorrindo. Montesinos emergiu da parte de trás de um avião da Polícia Nacional Peruana que o pegou em Caracas, onde foi capturado no sábado, e fez uma escala técnica na cidade de Iquitos. Vestindo uma jaqueta bege e jeans azul, ele foi escoltado até um helicóptero que o aguardava. Tinha uma peça de roupa sobre suas mãos, aparentemente para esconder as algemas. Barbeado, sua feição era a mesma, contestando notícias de que ele havia se submetido a uma operação plástica para fugir da captura durante uma caçada internacional de oito meses. Transferido para o Palácio da Justiça do Peru, Montesinos foi interrogado por seis juízes especiais anticorrupção.
Ele enfrenta mais de 52 acusações criminais – incluindo lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e de armas e organização de esquadrões da morte – e é objeto de 140 investigações promovidas pelo escritório do procurador-geral, tribunais e comissões parlamentares. Há suspeitas de que tenha acumulado uma fortuna de US$ 500 milhões a até US$ 1 bilhão em contas secretas no exterior. A última denúncia contra Montesinos, apresentada no sábado pelo procurador da nação, Nelly Calderón, é a de que acumulou ilegalmente US$ 264 milhões.
O ministro da Justiça Diego Garcia Sayan disse que Montesinos receberá cuidados especiais na prisão.
‘‘Ele é o cabeça de uma organização criminosa e alguns de seus cúmplices poderiam tentar liquidá-lo, para evitar que ele revele o envolvimento deles em uma década de atividades ilegais em todos os órgãos do governo peruano’’, afirmou o ministro. Sayan o considerou ‘‘altamente perigoso’’.
Notícias não confirmadas davam conta de que Montesinos seria transferido para uma prisão de segurança máxima na Base Naval de El Callao, que é normalmente reservada para líderes terroristas.
A captura de Montesinos ocorreu depois da prisão de dezenas de altos comandantes, políticos e executivos da mídia peruanos que supostamente tinham laços ilícitos com o ex-chefe de espionagem.
O ministro do Interior do Peru, Antonio Ketin Vidal, que também chegou no avião, elogiou o trabalho de diversas agências de inteligência, incluindo o FBI, pela captura de Montesinos.
Em palestra a empresários e investidores em Nova York, o presidente eleito do Peru, Alejandro Toledo, disse esperar que a prisão de Montesinos seja um passo a mais para a extradição de Fujimori.

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