Montesinos em greve de fome
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sábado, 30 de junho de 2001
Das agências De Lima 
O ex-chefe do serviço secreto peruano, Vladimiro Montesinos, iniciou ontem uma greve de fome para protestar contra sua transferência à prisão de segurança máxima que ele construiu e que era destinada a receber líderes guerrilheiros. Segundo a esposa de Montesinos, Trinidad Becerra, ele não comeu nada desde quinta-feira e afirma que não comerá nada até ser transferido para uma prisão civil. Montesinos foi preso na Venezuela, e deportado para o Peru, onde está sendo mantido na prisão de segurança máxima naval. Ele é acusado em 52 processos, entre eles tráfico de armas e de drogas e corrupção.
A prisão de Montesinos criou, sexta-feira, seu primeiro grande desdobramento político regional: uma crise diplomática entre os governos do Peru e da Venezuela, desencadeada pela decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de retirar na noite de quinta-feira o embaixador de seu país em Lima, Gustavo Gómez. Como resposta, o governo peruano fez o mesmo, chamando de volta seu embaixador em Caracas, Luis Marchand.
Pivô do escândalo de corrupção que levou à derrocada do presidente Alberto Fujimori, Montesinos foi detido no sábado na Venezuela, onde estaria escondido desde dezembro, sob proteção de autoridades militares e civis. Ele foi deportado segunda-feira para Lima, após uma caçada confusa da qual tomaram parte o FBI (a polícia federal norte-americana), policiais peruanos e um guarda-costas de Montesinos, que o traiu.
Em discurso transmitido ao vivo em rede nacional de rádio e TV Chávez acusou o Peru de ter agido nas costas do governo soberano da Venezuela para montar uma operação unilateral e insistiu em que, por trás de tudo, está uma conspiração internacional que visa derrubá-lo, capitaneada por ex-presidentes venezuelanos, seus inimigos. Ele afirmou que esse complô visa a castigá-lo porque a Venezuela não se somou à corrente mundial da globalização e do neoliberalismo. Mas disse esperar que o presidente eleito do Peru, Alejandro Toledo, ponha as coisas no lugar, após sua posse, no fim de julho.
ContestaçãoO presidente peruano, Valentín Paniagua, rechaçou sexta-feira as declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que acusou o governo peruano de ter incorrido em atos inamistosos para a captura do foragido da Justiça peruana Vladimiro Montesinos.
O Peru rechaça as declarações feitas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e se surpreende porque elas não são compatíveis com a realidade dos fatos, disse o presidente.


