Monitores têm 'dura missão' na Síria, diz ONU
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
Folhapress 
São Paulo - O subsecretário-geral para Operações de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), Hervé Ladsous, afirmou ontem em Damasco que a missão de observadores enfrenta uma dura missão na Síria, de onde metade dos monitores saiu após o aumento dos confrontos entre rebeldes e o regime de Bashar Assad.
O subsecretário-geral para Operações de Paz da ONU ressaltou que o número de observadores na Síria caiu para a metade, de 300 a 150, devido à continuação da violência. Mesmo assim, Ladsous disse em entrevista à imprensa que ''os diplomatas deveriam ser sempre otimistas''.
''Concordo que (a situação) é pior agora que antes, mas acredito que os círculos viciosos acabarão e o diálogo será iniciado'', disse, após chegar ontem à capital síria para avaliar o conflito no terreno.
Quanto à redução do efetivo, Ahmad Fawzi, porta-voz do enviado especial da ONU para a Síria, Kofi Annan, explicou ontem, de Genebra, que a medida é uma resposta à ''decisão de reconfigurar os objetivos da missão e se concentrar mais em aspectos políticos que em militares''.
Ontem pela manhã, Ladsous se reuniu com várias autoridades sírias para estudar a situação e apresentá-las ao novo responsável da missão de monitores, o senegalês Babacar Gaye, que chegou na noite de anteontem a Damasco.
Gaye, principal assessor militar da ONU que substituirá o general Robert Mood, prometeu que fará todos os esforços para ''ajudar a aliviar o sofrimento dos sírios''. A visita dos dois dirigentes da ONU se deu depois que o Conselho de Segurança concordou, no dia 20, prorrogar por 30 dias o trabalho dos observadores.
Aleppo
Ontem, o Exército e os rebeldes concentraram esforços de combate em Aleppo, capital econômica e segunda maior cidade da Síria. Os insurgentes dizem que na cidade deve ser travada uma ''batalha decisiva'' para o controle do país.
Segundo uma fonte anônima que vive na cidade, ''centenas de rebeldes'' de todo o norte do país se dirigiram para a cidade, onde dezenas de bairros da periferia já estavam em poder dos insurgentes. Ainda de acordo com esse jornalista, ouvido pela agência France Presse, pode-se ouvir tiros e bombardeios na cidade.
Rami Abdel Rahman, presidente da OSDH (ONG oposicionista sediada no Reino Unido), confirmou esta informação e disse que os rebeldes fizeram três ataques, nas rotas de Maaret, Jan Cheijun e Ariha, ao sul de Aleppo, para atrasar a chegada das tropas do regime.
O presidente do OSDH também afirmou a entrada de vários contingentes de rebeldes para Aleppo. A cidade é a capital do norte do país, onde várias localidades já estão sob controle dos rebeldes. ''Se essa cidade cair, é o fim do regime, os adversários sabem disso'', afirmou.
Fronteira
O governo da Turquia anunciou ontem que serão fechados todos os postos fronteiriços com a Síria em decorrência do aumento da insegurança na região. A iniciativa afeta 13 postos de fronteira em uma extensão de 900 quilômetros. No entanto, as autoridades informaram que a medida não atinge o fluxo de refugiados sírios que fogem dos conflitos armados. A decisão foi divulgada pelo ministro do Comércio da Turquia, Hayati Yazici.
Cruzar as fronteiras da Síria com a Turquia se transformou em um desafio perigoso para os caminhões, segundo os motoristas. O risco é ainda maior para os que transportam mercadorias, pois podem ser surpreendidos pelo fogo cruzado entre oposição e agentes de segurança do governo.



