Um vestido manchado com o sêmen de Bill Clinton, que Mônica Lewinsky usou num dos encontros que teve com o presidente dos Estados Unidos, foi entregue por ela ao promotor independente Kenneth Starr como parte do acordo pelo qual a ex-estagiária da Casa Branca e sua mãe, Marcia Lewis, receberam imunidade judicial para colaborar com a investigação do escândalo que envenena e corrói a vida política do país e a instituição presidencial americana desde o início do ano.
De acordo com relatos atribuídas a fontes próximas às investigações, publicados ontem pelo New York Times, a ex-estagiária também entregou ao promotor fitas de conversas telefônicas que teve com Clinton e de mensagens que ele deixou em sua secretária-eletrônica durante o ‘‘affair’’. Embora não tenham conteúdo sexual ou romântico, as fitas confirmariam que Clinton manteve um relacionamento próximo com Mônica.
A mais sensacional e explosiva evidência de que Clinton teve algum tipo de relação sexual, provavelmente oral, com a jovem ex-estagiária, num estúdio anexo ao Salão Oval, a existência do vestido manchado, foi negada no início do escândalo pelo então advogado de Mônica, William Ginsburg. Confirmada agora aos jornais The New York Times e The Washington Post por ‘‘fontes próximas ao caso’’, ela pode complicar dramaticamente a situação do presidente.
O reaparecimento do vestido talvez explique por que, agindo contra o conselho de seus advogados e de vários juristas, Clinton decidiu responder ao crescente clamor de seus correligionários democratas para colaborar com a investigação de Starr e apressar sua conclusão, aceitando prestar depoimento gravado, sob juramento.
O perigo para Clinton é que se ele insistir, no depoimento marcado para o dia 17 de agosto, que não teve relação sexual com Mônica - como afirmou, sob juramento, em janeiro passado na ação civil por assédio sexual aberta contra ele por Paula Jones e, dias depois, pela televisão, ao povo americano -, Starr tem agora em seu poder a evidência física que pode permitir-lhe provar que o presidente estará mentindo. Mentir numa investigação criminal, em depoimento destinado a um Grande Júri, não só constitui grave crime de perjúrio como poderia fazer evaporar o apoio público que sustenta Clinton desde o início do escândalo e é sua melhor garantia contra a possibilidade de o embaraçoso episódio terminar num processo de impeachment.
Para alguns observadores, entretanto, a revelação da existência do vestido manchado, que foi guardado nos últimos meses pela mãe de Monica, seria uma manobra do promotor para pressionar Clinton a dizer a verdade sobre sua relação.

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