Ignorando o terrível sol do meio-dia, Tenzin Lungten, de 15 anos, senta do lado de fora da Universidade Tântrica Gyudmed e lê em voz alta um antigo texto budista tibetano, em Gurupuru, uma vila ao sul da Índia. Lungten tem seguido a mesma rotina nos últimos dois anos desde que seus pais decidiram que ele deveria se tornar um lama (monge) e o mandaram para Gurupura.
Cerca de 550 outros monges de diferentes idades fazem companhia a Lungten na universidade que foi estabelecida em 1972 junto com um campo de refugiados tibetanos no Estado de Karnataka. Seu objetivo: alcançar a ‘‘iluminação’’ ensinando os trabalhos básicos das diferentes escolas do budismo tibetano e da meditação. Mais importante, o objetivo é manter a religião viva e passá-la para uma nova geração de tibetanos que estão fora do Tibete. Seu líder espiritual, o dalai-lama, e milhares de tibetanos deixaram seu lar no Himalaia e se exilaram na Índia depois de um levante abortado contra o domínio comunista chinês 40 anos atrás. ‘‘Preciso me educar para que possa percorrer a Índia e ensinar outros tibetanos’’, disse Lungten. ‘‘E talvez um dia eu possa voltar ao Tibete e ensinar lá também’’.
‘‘Como não podemos oferecer preces ou seguir nossa religião no Tibete depois de sua ocupação pela China, esta é a única oportunidade para aprendermos mais sobre nossa religião’’, disse Tenzin Thukje, um monge de 31 anos que foi para Gurupura em 1983.
Nyima Dhondup, administrador da Universidade Gyudmed, disse que monastérios para as três escolas básicas do budismo tibetano - Sera, Gadan e Deprung - foram estabelecidos no Estado sulista enquanto em Dalhousie, no norte, há só um monastério. Geshe Norbu Chophel, um doutorando vindo de Gyudmed e agora secretário da Universidade Sera Mahayana no assentamento vizinho de Bayalakuppe, disse que passar pelos monastérios é um processo difícil. ‘‘Todo o dia é repleto de leituras, debates e orações. E qualquer tipo de indisciplina não é tolerada...o guru nos bateria muito’’, ele disse, com a maior simplicidade. ‘‘E não podemos questioná-lo uma vez que ele deve ser respeitado como o Buda’’.

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