Monge revela torturas em prisão de Mianmar
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de outubro de 2007
France Presse 
Yangun - ''Nos pegaram e depois nos interrogaram para que denunciássemos os líderes'', contou ontem um jovem monge birmanês que, detido ao lado de mais de mil monges budistas nas manifestações contra o regime militar, passou seis dias em reclusão.
Numa manhã, os soldados chegaram ao seu mosteiro e afirmaram aos monges que os levariam para um café da manhã patrocinado pelos militares. Esta foi uma artimanha para facilitar a operação no final de setembro na qual as tropas militares multiplicaram as buscas em 18 mosteiros.
Os monges foram encarcerados em dependências sem banheiros ou janelas, onde o calor era insuportável, e foram obrigados a tirar as roupas várias vezes. ''Ficávamos de joelhos, com a cabeça contra o chão, como se fôssemos prisioneiros. Passamos dois dias assim antes que tirassem nossas roupas'', contou o monge, de 18 anos, que pediu anonimato.
''Nos agrediram várias vezes. Depois nos dividiram em grupos de dez e nos interrogaram um a um. Queriam saber se havíamos participado nas manifestações e quem era o líder em nosso monastério'', relatou o monge.
Segundo o monge, soldados budistas confessaram que estavam envergonhados. ''Alguns pediram desculpas e imploraram nosso perdão. Disseram que nos tratavam daquele jeito porque haviam recebido ordens dos superiores''.
''Alguns monges afirmaram que eles iriam para o inferno e alguns soldados começaram a chorar, porque sabiam que era verdade'', completou. Para obter a misericórdia, os soldados ofereceram água aos monges presos.
O jovem reconheceu entre seus companheiros de cativeiro religiosos do mosteiro de Ngwekyaryan. Os mais resistentes eram violentamente agredidos. ''Alguns tinham ferimentos graves e os olhos inchados pela quantidade de golpes recebidos. Outros tinham ferimentos na cabeça e nos braços'', disse.
O jovem foi finalmente liberado ao lado de outros monges de seu mosteiro, depois que garantiram aos militares que não protestariam nunca mais. Antes de voltar para casa e recuperar a calma, garante que não sente ódio. ''Não tenho ira contra os soldados. Envio uma mensagem de amor para eles para que recuperem a paz um dia'', concluiu.
Reunião - Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje para examinar projeto de condenação a Mianmar pela repressão ao movimento pró-democracia, apresentado por EUA, França e Grã-Bretanha, que precisa de unanimidade para ser aprovado, mas não é bem visto por China e Rússia.
Representantes dos 15 países membros se reunirão para analisar projeto que condena a repressão violenta e pede a libertação dos presos políticos, incluindo a líder de oposição e prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.
Na Coréia do Sul, um protesto contra o governo militar de Mianmar foi realizado ontem em frente à embaixada do país em Seul. Participaram sul-coreanos, além de trabalhadores imigrantes birmaneses. Eles pediam a libertação dos prisioneiros políticos.


