Varsóvia- Apelidado de ''o apóstolo do Kama Sutra católico'', o padre Ksawery Knotz, um monge capuchinho polonês que dá conselhos a casais casados sobre como praticar sexo, afirma que simplesmente faz um trabalho para Deus. ''Claro que animo os casais casados a rezar para que eles tenham uma vida sexual boa e feliz. Para mim, este é um meio de se aproximar de Deus'', declara o monge de 43 anos.
''As pessoas ficam um pouco surpresas no início, mas agradavelmente surpresas'', destaca Knotz, que fez, como monge, um voto de castidade.
O religioso atende hoje a mais de 3.000 casais de fiéis católicos na Polônia desde 2000, com uma benção tácita de seus superiores. A iniciativa é tão popular que sua agenda está cheia até o ano que vem.
''Se você acredita em Deus, acredita que Deus está presente na vida, no amor, no matrimônio e na sexualidade. Parece natural falar de sexo, e eliminar alguns tabus e manchas do pecado'', declara o monge, que vive no monastério dos capuchinhos em Stalowa Wola, sul da Polônia.
Autor de um livro chamado ''O ato do matrimônio'', o padre Knotz tem desde 2004 um site http://www.szansaspotkania.net (a sorte do encontro) em duas versões, polonesa e inglesa.
O monge admite que a educação tradicional da Igreja católica sobre o sexo apresenta fragilidades, mas rapidamente acrescenta que seus conselhos sexuais são reservados a casais heterossexuais que contraíram matrimônio.
No capítulo ''A teologia dos órgãos'', o capuchinho compara o momento supremo do ato sexual com o encontro com Deus no céu. ''O amor de um casal casado, manifestado no sexo, aproxima o corpo humano do céu. O êxtase de uma relação sexual pode ser comparado à alegria da vida eterna'', afirma.
''É por isso que este ato conjugal permite aos esposos começar a entender a doçura do encontro com Deus'', acrescenta o padre Knotz.
O religioso insiste em uma ''comunicação boa e aberta entre os casais'', necessária para alcançar os orgasmos celestiais, e incentiva os maridos a darem tempo suficiente às mulheres para satisfazê-las plenamente.
A seus críticos, que o acusam de falta de experiência pessoal, o padre Knotz respondeu: ''Não precisais padecer de uma doença do coração para ser cardiologista, nem ser alcoólatra para se tornar terapeuta''.
O monge explicou que encontrou sua inspiração na abertura do olhar de sua família e nos ensinos do Papa João Paulo II, que tratou pela primeira vez o tema da sexualidade em um folheto publicado na Polônia em 1960 sob o título ''Amor e responsabilidade''.
Kasia e Jan Paluszewski, ferverosos católicos casados há 18 anos e pais de três meninos, de 16, 13 e 3 anos, afirmam que os conselhos do padre Knotz ''reforçam e esclarecem'' sua vida sexual e sua espiritualidade. ''Ele escuta realmente os casais e é por isso que ele nos entende bem'', diz Jan Paluszewski, um técnico de informática de 46 anos.

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