Monções continuam matando na Ásia
Associated Press
De Manila
As equipes de resgate ainda procuravam ontem por mais de 40 pessoas soterradas pelos escombros de um conjunto habitacional nas Filipinas, atingido por um deslizamento de terra ocorrido na noite de terça-feira - em mais uma tragédia provocada pelas chuvas de verão, conhecidas como monções.
As esperanças de encontrar sobreviventes são cada vez menores, afirmou o administrador da cidade Antipolo, Gilbert Lauengco. Em diversos países da Ásia, inúmeras enchentes deixaram pelo menos cem mortos e milhares de desabrigados, somente nesta semana. Muita chuva, muita água, lamentou o príncipe de Camboja, Norodom Sirivudh. As chuvas mataram duas crianças no Camboja, informaram as autoridades nesta quinta-feira.
Nas Filipinas, com a recuperação de mais quatro corpos ontem, o total de mortos, em quatro dias de chuvas torrenciais em Manila e províncias próximas, subiu para pelo menos 67. O administrador da cidade de Antipolo, Lauengco, disse que muitos moradores do conjunto habitacional, atingido pelo deslizamento de terra, tinham ignorado os alertas da polícia e das autoridades locais para a evacuar a área, depois que rachaduras começaram a aparecer nas casas e nas ruas.
Vinte e cinco casas foram soterradas e outras 378 danificadas, disse o secretário de Defesa Orlando Mercado. A empresa responsável pelo empreendimento imobiliário, a Philjas Corp., uma joint-ventura filipina-japonesa, pediu desculpas pela tragédia. Soldados e voluntários da Cruz Vermelha procuravam vítimas entre os escombros e a lama, enquanto a polícia monitorava um grupo de moradores que receberam a autorização de retirar alguns pertences da área.
O governo filipino estima que os prejuízos provocados pelas enchentes somam cerca de US$ 3,62 milhões. A Defesa Civil disse que mais de 1,5 milhão de pessoas da região metropolitana de Manila e 13 províncias foram afetadas pelas chuvas desde domingo forçando mais de 70 mil a deixarem suas casas.
Na China, as chuvas de verão já mataram 725 pessoas e atingiram 23 províncias e cidades, de acordo com as autoridades. Segundo a Cruz Vermelha, o transbordamento do rio Yang-tsé, o maior da China, deixou um total de 1,8 milhão de desabrigados em seis províncias e outras 58 mil pessoas ficaram feridas nas enchentes e deslizamentos de terra. Além disso, as inundações afetaram cerca de 66 milhões de pessoas em todo o país. Apesar das águas, aparentemente, estarem recuando em algumas áreas, parte de quatro províncias centrais continuam ameaçadas. Outro perigo é o da possibilidade de ocorrência de surtos de doenças.
Na Coréia do Norte, pelo menos 42 pessoas morreram e 94 ficaram feridas nas inundações e deslizamentos de terra provocadas pelas chuvas, de acordo com a Cruz Vermelha. O total de mortos pode aumentar devido às muitas áreas que estão temporariamente sem acesso devido ao mau estado das estradas. No Vietnã, o número de mortos subiu para 28 e, na Tailândia, pelo menos cinco pessoas morreram e outras mil estão desabrigadas na região das enchentes.





