France Presse
De Rabat
Em vida, o rei Hassan II desempenhou papel importante no mundo árabe; conseguiu ser mediador ouvido e respeitado. As relações tensas com a Argélia, o vizinho mais próximo, também fizeram do Marrocos um parceiro privilegiado do Ocidente.
Seu papel mais importante no mundo árabe foi, sem nenhuma dúvida, o que desempenhou na aproximação árabe-israelense. Em Fez, em 1982, os chefes de Estado árabes ratificaram um plano de paz reconhecendo o Estado de Israel em troca da devolução dos territórios ocupados.
Onze anos mais tarde, em 1993, o soberano marroquino também se congratularia por ter contribuído para os acordos de Oslo e, pouco tempo depois, para o célebre aperto de mãos em Washington, entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat.
Em 1991, o soberano marroquino enfrentou uma dura prova durante a guerra do Golfo, desencadeada pela invasão do Iraque ao Kuwait. Mas soube manter uma política de equilíbrio entre o Iraque e a coalizão contra Saddam Hussein, enviando um contingente militar à Arábia Saudita enquanto autorizava uma passeata pró-Iraque impressionante em Rabat.
Em troca, suas relações com a Argélia foram particularmente muito mais difíceis desde que aconteceu, em 1963, a ‘‘guerra das areias’’, consequência de uma questão fronteiriça que provocou entre os dois países um clima de desconfiança que perdurou.
O Marrocos chegou a fechar as fronteiras com a Argélia depois de um atentado, cometido em 1994 por jovens islamitas franco-magrebes, contra um hotel de Marrakech no qual morreram dois turistas espanhóis.
A imprensa argelina acusou o Marrocos em várias oportunidades de fornecer bases de apoio para os islamitas argelinos armados que operam a oeste da Argélia.
O conflito do Saara ocidental, consequência da descolonização deste território pela Espanha em 1975, aprofundou a brecha entre os dois países por causa do apoio dado pela Argélia à Frente Polissário. O Marrocos também teve durante muitos anos relações deterioradas com a Líbia pelo mesmo motivo: o apoio do coronel Muammar Khadafi aos líderes da Frente.
Este conflito também levou o Marrocos a deixar a Organização da Unidade Africana (OUA) em 1984, pelo reconhecimento da República Árabe Saarauí Democrática (RASD, autoproclamada) por parte da maioria de países que a integram. O Marrocos nunca se reintegrou, empreendendo durante estes últimos anos uma ofensiva diplomática exitosa para que alguns países africanos revissem o reconhecimento da RASD.
A partir do começo dos anos 90, Hassan II procurou reafirmar as relações do Marrocos com os países da União Européia (UE), entre eles a França, primeiro cliente e provedor do reino. Foi assim que em 1996, o Marrocos assinou com a UE um acordo de parceria que levou Hassan II a empreender reformas políticas e uma aceleração das atividades da economia, para enfrentar os efeitos da globalização.

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