O PWR (reator a água pressurizada, na sigla em inglês), modelo usado na usina de Mihama, é bastante comum no Japão, nos Estados Unidos e no Brasil. Ele é composto por três circuitos isolados de água. O sistema primário é o único que tem contato com o material radioativo e fica instalado em uma câmara de contenção.
As usinas brasileiras Angra 1 e Angra 2, localizadas no Estado do Rio de Janeiro, usam o modelo PWR. Ele é construído para operar por um período de 40 anos, porém a vida útil pode ser prolongada por duas décadas de acordo com o projeto de modernização e de manutenção da planta. A usina japonesa de Mihama foi construída no ano de 1976.
A água do sistema primário é usada para aquecer o sistema secundário. Nesse ponto, os dois sistemas se comunicam, mas os líquidos não se misturam. ''É comparável com uma serpentina de uma bomba de chope'', explica o diretor da Associação Brasileira de Energia Nuclear, Edson Kuramoto. A ''serpentina'' é feita de uma liga especial, chamada de inconel, com cerca de 60% de níquel e 22% de cromo.
O vapor que é gerado dentro da tubulação movimenta a turbina, é condensado e depois volta ao ponto inicial. O sistema terciário serve para resfriar o vapor que deixa a turbina.
O acidente em Mihama aconteceu no prédio de contenção do circuito secundário. Um sistema de segurança desliga o reator automaticamente quando é registrada perda de pressão. O reator com três circuitos é considerado um dos mais seguros em operação no mundo. ''Podem acontecer acidentes em usinas desse tipo assim como gasodutos podem explodir'', afirma Kuramoto.''

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