Moçambique, um país assolado pela aids
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domingo, 28 de novembro de 2004
Agência Estado 
Maputo - As rodovias que levam do Zimbábue e de Malavi ao porto de Nacala, na região central de Moçambique, formam o mais importante corredor de cargas e a principal porta de entrada da aids naquele país. Os caminhoneiros dormem nos vilarejos à beira da estrada, muitos trazendo algum dinheiro e o HIV.
A pousada de seu Agnostino Santos, em Namialo, a 107 quilômetros de Nacala, é uma das últimas paradas antes do porto. As mulheres assistem a novelas brasileiras numa TV embaçada da pousada e se oferecem ao equivalente a R$ 10, o suficiente para a mandioca e o milho dos filhos no dia seguinte.
No Estado de Gaza, no sul do país, os homens saem para trabalhar nas minas de ouro e diamante da vizinha África do Sul. Sem dinheiro, as mulheres trocam o sexo por qualquer quantia. Os maridos voltam com dinheiro bastante para dormir com mulheres em cada parada e levam para a casa o vírus da aids.
Quando descobrem que sua mulher está doente, abandonam a casa e os filhos, ou mandam a mulher de volta para os pais. Os homens se recusam a fazer o teste de HIV. Se fizerem, poucos terão acesso a um tratamento. Adoecem e morrem em algum lugar.
Na periferia de Maputo, a Associação para o Desenvolvimento da Família (Amodefa) faz um trabalho de visita domiciliar a centenas de doentes. A quinta-feira era dedicada à região norte da capital, onde vivem quase mil órfãos, dezenas deles morando sozinhos. Camal Fernando Tila perdeu os pais há três anos, quando tinha 13 anos. Desde então, cuida dos sete irmãos, um deles já morreu de aids.
Irene Naftal Buquê, de 67 anos, e Albertina Joaquim Machaila, de 51, levam o que podem, geralmente analgésico, antibiótico, gaze, luvas e uma ficha preparada junto com técnicos brasileiros.


