Mobutu volta e tenta salvar Zaire rebelado
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domingo, 23 de março de 1997
Agência Estado 
KINSHASA - O presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko, apareceu ontem pela primeira vez em público desde seu regresso da Europa, na sexta-feira, e declarou que não voltou para defender seus bens particulares e seu futuro, mas os mais elevados interesses da Nação. Mobutu tentará, com seu regresso, salvar o pouco que resta de seu governo, ameaçado pelas forças do líder guerrilheiro Laurent-Désiré Kabila.
Sua rápida entrevista (de apenas um minuto) à imprensa foi interpretada como uma maneira de pôr um fim aos rumores de que ele teria morrido, já que está se recuperando de câncer na próstata, tratado na Suíça, na França e em Mônaco - onde esteve internado até sexta-feira passada. Eu estou me concentrando na união e na integridade territorial do Zaire, afirmou Mobutu, que está magro e aparentando cansaço.
O presidente zairense, que se movimentava muito lentamente e usava um traje de cor escura e seu famoso chapéu de pele de leopardo, sua marca registrada desde que tomou o poder em um golpe militar, em 1965, não respondeu, entretanto, a perguntas sobre um interesse de sua parte em um encontro com o líder rebelde Kabila, cujas forças controlam um quinto do país. Quanto ao que fará para buscar a reconciliação nacional, Mobutu apenas acrescentou, sem maiores detalhes: Vocês saberão dentro de 48 horas.
O marechal Mobutu recebeu de manhã um grupo de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, em sua casa do acampamento militar Tshatshi, antes de reunir-se com o vice-presidente sul-africano Thabo Mbeki.
AmeaçaDurante o tempo em em que o presidente do Zaire estava em Mônaco se tratando do câncer, a Aliança de Forças Democráticas para a Libertação do Congo/Zaire, comandada por Kabila, avançou sobre o Leste e o Sul do País e tomou no dia 15 de março sua terceira maior cidade, Kisangani. As forças rebeldes se aproximam agora da segunda maior cidade, Lubumbashi, Capital da rica província de Shaba, conhecida como Katanga.
O movimento começou em outubro como uma disputa da minoria étnica tutsi pela nacionalidade zairense, e vem ganhando rapidamente o apoio da população, insatisfeita com a corrupção no governo e a pobreza do país.


