Mobutu viaja e os rebeldes avançam
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quarta-feira, 07 de maio de 1997
France Presse, de Libreville 
France PresseViagemA limusine que conduzia Mobutu para o aeroporto de Kinshasa, foi acompanhada com curiosidade pela população O presidente zairense Mobutu Sese Seko chegou ontem a Libreville para uma reunião de cúpula de chefes de Estado da região, num momento em que, a leste de Kinshasa, prosseguem os violentos combates entre tropas rebeldes e as Forças Armadas Zairenses.
Nestas circunstâncias, a viagem do presidente, que sofre de câncer de próstata, alimenta em Kinshasa as especulações sobre uma partida definitiva, o que é exigido pelos rebeldes de Laurent Desiré Kabila para deter sua ofensiva.
Um jornal do Gabão estimou que o presidente poderá não regressar a Kinshasa porque sua partida se assemelha a uma fuga organizada.
Terá Mobutu aceitado ir embora?, questiona, por sua vez, um outro jornal. Um terceiro periódico estima, por sua vez, que nenhum dos presidentes convidados para a cúpula se atreverá a fazer Mobuto raciocinar ou conseguirá obrigá-lo a atirar a toalha:
Paralelo a isso, ontem foram travados combates nos arredores de Kengé e Kikwit (respectivamente a 200 e 450 km a leste de Kinshasa), ocasionando perdas em ambos grupos.
Pelo menos 200 civis, uma centena de soldados governamentais e 15 rebeldes foram mortos em violentos combates pelo controle de Kengé, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).
Aparentemente, os rebeldes continuam seu avanço para Bandundu, a mais de 400 km a norte de Kinshasa. Segundo uma fonte bem informada, terça-feira à noite chegaram aos arredores da capital da província do rio Kasai.
Enquanto isso, prossegue a guerra de declarações entre os rebeldes de Kabila e a comunidade internacional, pelo tratamnto supostamente dado pelos últimos aos refugiados do Leste do Zaire. Terça-feira, a comissária européia de Ajuda Humanitária, Emma Bonino, acusou Kabila de ter transformado o leste do país em um matadouro, e a suas tropas de ter matado os refugiados e atrasado deliberadamente sua repatriação.
Três ministros rebeldes responderam acusando o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) de fazer dinheiro com os refugiados.
Uma delegação enviada pela ONU para investigar estes massacres continuava ontem bloqueada em Ruanda pelos rebeldes de Kabila, que não deixaram seus membros irem para o Zaire para começar suas pesquisas, declarou, em Genebra, um porta-voz das Nações Unidas. A missão tenta desde a semana passada entrar no Zaire.


