O presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko, e o líder rebelde Laurent Desiré Kabila, não chegaram ontem a um acordo definitivo sobre o conflito zairense e marcaram um novo encontro para dentro de oito dias. Eles se reuniram a bordo do navio quebra-gelo sul-africano SAS Outeniqua e tiveram como mediador o presidente sul-africano, Nelson Mandela.
Mobutu voltou a rejeitar a principal exigência de Kabila, a renúncia, mas prometeu não ser candidato numa eventual eleição presidencial e entregar o poder ao vencedor. ‘‘Mobutu me pediu prazo de uma semana para pensar sobre sua saída’’, afirmou Kabila em entrevista por telefone a bordo do navio. ‘‘Concordei, mas deixei claro que não haverá cessar-fogo enquanto ele não atender a nossas reivindicações.’’
A organização rebelde Aliança de Forças Democráticas (AFD) exige a saída imediata de Mobutu e admite a formação de um governo de transição, desde que chefiado por Kabila. A proposta da transição até a convocação de um pleito, de iniciativa de Mobutu, prevê a indicação de uma ‘‘personalidade neutra’’ para chefiar o governo.
No campo militar, o líder rebelde ordenou a suas forças que interrompam temporariamente a ofensiva sobre Kinshasa, a capital do Zaire. ‘‘Foi um gesto de boa vontade dele (Kabila)’’, definiu Mohamed Shanun, enviado especial da Organização das Nações Unidas e da Organização da Unidade Africana. ‘‘A interrupção do avanço não significa trégua ou cessar-fogo’’, esclareceu Mandela. Segundo Kabila, os guerrilheiros da Aliança de Forças Democráticas estão a apenas 65 quilômetros do aeroporto da capital zairense.

mockup