NAIRÓBI - Diante do agravamento da situação no Zaire, o presidente Mobutu Sese Seko deixou ontem o Hospital Princesa Grace, onde estava internado em Mônaco, e foi para sua casa na Riviera Francesa para preparar sua volta ao país ainda esta semana. Desde agosto, quando se submeteu a uma operação para combater um câncer na próstata, Mobutu passa a maior parte do tempo na Europa em tratamento médico. Líderes africanos reunidos no Quênia repetiram ontem seu apelo por um cessar-fogo e negociações que levem ao fim da guerra no Zaire.
O governo dos Estados Unidos, que anteontem juntou sua voz ao apelo de paz feito pela França, enviou o secretário-assistente para Assuntos Africanos, George Moose, para participar da reunião de líderes africanos ontem em Nairóbi. A declaração conjunta emitida ontem ao fim da cúpula diferiu muito pouco das gereadas em duas outras cúpulas, realizadas também em Nairóbi, em novembro e dezembro. Os rebeldes, liderados por Laurent-Désiré Kabila, não foram convidados a enviar representante e subestimaram a possibilidade da reunião dar resultados concretos.
Pela primeira vez, um representante do governo do Zaire participou da reunião para discutir a crise no terceiro maior país da África. Um dia depois de ter deposto pelo Parlamento à revelia, o primeiro-ministro Kengo wa Dondo reuniu-se com outros líderes do continente. Cerca de um quinto do país já está em mãos dos rebeldes banyamulenges (tutsis emigrados de Ruanda para o Zaire no século 19).
‘‘A cúpula apela aos envolvidos no conflito que cessem imediatamente as hostilidades e criem o ambiente necessário para facilitar a negociação de um acordo’’, dizia o comunicado conjunto.

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