France PresseEsperançaMoradores de Kinshasa preparam faixas para saudar os rebeldes na Capital, confiantes em que a viagem de Mobutu implique no fim da guerra civil O presidente Mobutu Sese Seko, que deixou Kinshasa oficialmente ontem de manhã com destino a Gbadolite (ao norte), decidiu deixar o poder dos assuntos do governo, anunciou o conselho de ministros do Zaire em um comunicado emitido na tarde de ontem.
Em um comunicado que lembra as disposições da Ata Constitucional de Transição, o conselho de ministros anunciou que o chefe de Estado deixou a cargo do governo a direção da política da nação.
O governo confirmou a informação de que Mobutu havia deixado o poder e viajado para Gbadolite, ‘‘onde mora habitualmente’’.
‘‘Ainda convalescente, Mobutu decidiu instalar-se provisoriamente em Kinshasa para levar adiante as negociações cruciais para a paz’’, segundo o comunicado.
O texto, que foi lido pelo ministro zairense da Informação, Kin Kiey Mulumba, destacou que o conselho de ministros havia-se reunido para examinar um ‘‘único ponto da ordem do dia - as negociações entre Mobutu e Kabila. Estas negociações fracassaram’’.
Ao contrário, nada neste texto leva a crer que o chefe de Estado esteja disposto a deixar o poder e muito menos a entregá-lo à Aliança rebelde.
O governo destacou que a Constituição de transição da III República instaurou no Zaire um regime parlamentar e que ‘‘o presidente reina, mas não governa’’.
‘‘Em consequência, quando a Aliança rebelde pede ao presidente que lhe transfira seus poderes, podemos nos perguntar de que poderes se trata’’, continuou.
‘‘Se o presidente garante o bom funcionamento das instituições, não se pode pedir a ele que fomente um golpe de Estado contra estas instituições’’, continuou o comunicado, destacando que o presidente ‘‘não pode transferir’’ nenhum poder, seja ele qual for.
Estas disposições aparecem em um documento entregue ao mediador sul-africano, o vice-presidente Mbeki Thabo, informou o ministro da Informação.
‘‘Ao pedir ao presidente que lhe transfira seus poderes, a Aliança rebelde viola a Constituição e busca legitimar a força como forma de acesso ao poder’’, considerou o comunicado.
Rebeldes contestam A Aliança Rebelde chefiada por Laurent Desiré Kabila ‘‘rejeitou categoricamente’’ ontem a intenção do governo zairense de se manter a frente do país e pediu ao exército que se renda.
O ‘‘ministro’’ rebelde das Relações Exteriores, Bizima Karaha, cujas forças se aproximam de Kinshasa, indicou numa entrevista que a Aliança tinha pedido ao exército que ‘‘depusesse suas armas e se rendesse sem condições’’.
Karaha pediu à população de Kinshasa para permanecer em casa, solicitando mais uma vez ao exército que não continue lutando e que não realize saques.
Sobre as tropas rebeldes, se elas prosseguem sua ofensiva para a capital, o ‘‘ministro’’ disse que ‘‘acreditamos que os habitantes de Kinshasa merecem ser libertados’’.

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