Os países do Oriente Médio demonstraram preocupação ontem com o começo da mobilização das forças norte-americanas depois dos atentados da semana passada, enquanto o Iraque acusa os Estados Unidos de querer desencadear uma guerra mundial.
Embora as monarquias do Golfo mantenham um mutismo total sobre o fortalecimento do potencial militar norte-americano antes de eventuais ataques contra o Afeganistão, o Egito voltou a declarar que uma operação militar deverá necessariamente basear-se em provas.
''Disse-lhes que acho que toda ação deverá ser baseada em provas indiscutíveis, em uma investigação, e a investigação apenas começou'', assinalou o ministro de Relações Exteriores, Ahmed Maher, em uma entrevista à rádio A Voz da América.
O presidente egípcio, Hosni Mubarak, que fará na próxima semana um giro pela Europa, sondou a opinião de seus colegas árabes, intensificando os encontros desde o começo da semana em Sharm el-Sheik, sobre o Mar Vermelho.
Washington ordenou a mobilização de certas forças no Golfo. Segundo o canal de televisão CNN, mais de cem aviões militares começaram a partir ontem em direção ao Golfo, entre eles caças F-15 e F-16, bombardeiros B-52 e B-1, assim como aviões de abastecimento em vôo e aviões-radar Awacs. A operação foi denominada de ''Justiça infinita''.
O Iraque, por sua parte, adotou um tom alarmista. ''É uma guerra mundial que o presidente norte-americano George W. Bush quer desencadear, sem pensar nas graves consequências que causará e nas reações que provocará'', disse o jornal As-Saura, órgão do partido Baath, no poder no Iraque.
Segundo afirmou o jornal, ''esta guerra afetará todas as partes e suas consequências maléficas chegarão inclusive até aqueles que se acreditam protegidos'', em uma referência aos Estados Unidos, mas também a seus aliados no Ocidente e no Golfo.
O Irã, por sua vez, fez os mesmos conselhos de prudência, através de uma declaração de seu ministro de Relações Exteriores, Kamal Kharazi, que, citado pela televisão iraniana esta quinta-feira, pediu à comunidade internacional que faça ''todo o possível para evitar uma catástrofe humana'' no Afeganistão.

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