Mobilização deixou Buenos Aires praticamente deserta, com a maioria das lojas fechadas
Mobilização deixou Buenos Aires praticamente deserta, com a maioria das lojas fechadas | Foto: Eitan Abramovich/AFP


Buenos Aires - Os sindicatos argentinos paralisaram o país nesta segunda-feira (25), com uma greve de 24 horas, com o objetivo de demonstrar força contra o governo do presidente Mauricio Macri e rejeitar o acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Com trens, metrô, ônibus e aviões parados, a mobilização deixou a capital Buenos Aires praticamente deserta, com a maioria das lojas fechadas.

"A greve teve um nível altíssimo de adesão em todo o país", afirmou em coletiva de imprensa Juan Carlos Schmid, dirigente da Confederação Nacional do Trabalho. À medida que avançou o dia, o centro de Buenos Aires foi ficando deserto de automóveis, o único meio de locomoção diante da ausência completa de transporte público. Bancos e escolas não abriram.

"As paralisações não contribuem para nada, não somam, eu não vejo nenhum governo, em décadas, com tanta preocupação com o emprego e o trabalhador e para gerar novas oportunidades", reagiu Macri.

Embora a convocação da Confederação Geral de Trabalhadores se limite a uma paralisação das atividades, sem manifestações, setores mais radicais bloquearam os acessos à cidade de Buenos Aires. "Não é suficiente uma paralisação geral. É necessário um plano de luta, uma verdadeira disposição de luta para derrotar esse plano de guerra contra os trabalhadores", afirmou Marcelo Ramal, dirigente do Partido Operário.

Hugo Moyano, líder dos caminhoneiros e um dos idealizadores do protesto, disse que "a este governo é muito difícil trazer soluções". "São um instrumento do poder porque se entregaram ao FMI", criticou. "Se não quiser que seus direitos sejam retirados, é preciso lutar", disse Claudio Barteloot, motorista de ônibus.

PENÚRIA

Com um mal-estar crescente pela situação econômica, que levou o governo a fazer um acordo com o FMI, esta é uma oportunidade para medir a capacidade de resistência sindical. "A greve é contra o programa econômico, para que se abandone essa linha de ajuste permanente. O FMI sempre trouxe penúrias aos argentinos", disse Juan Carlos Schmid, dirigente da Confederação Geral de Trabalhadores.

Como proposta concreta, os sindicatos desejam o reinício das negociações de reajustes salariais deste ano, para um alinhamento com a projeção de inflação, calculada agora pelo Banco Central em 27%. As negociações que aconteceram em sua maioria no início do ano utilizaram como referência a meta de inflação anual de 15%.

Para tentar retomar o diálogo com os sindicatos, o ministro do Trabalho, Jorge Triaca, afirmou desejar que as negociações salariais aconteçam livremente. No entanto, o ministro afirmou que "alguns setores sindicais estão tentando aumentar as tensões sociais, os níveis de conflito e a instabilidade do governo". "A greve não ajuda a resolver o problema dos argentinos", disse.

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