Samarra As forças norte-americanas anunciaram ontem que mataram no domingo 54 combatentes iraquianos em violentos confrontos em Samarra, a 110 km ao norte de Bagdá. Mas, apesar da violência visível do ataque nos prédios perfurados de bala e nas ruas cheias de escombros, nem os militares americanos nem o hospital recuperaram ou receberam os corpos.
Em Samarra, o coronel Fredrick Rudesheim, comandante da terceira brigada de combate envolvida no confronto, afirmou, no domingo, que 46 combatentes tinham morrido e onze haviam sido capturados.
Em entrevista à imprensa perto de Samarra, no local onde estariam os corpos dos atacantes, o colonel Rudesheim desafiou: ''querem que eu os mostre?''. ''É uma boa pergunta. Talvez devam interrogar os fedains (a temida milícia do antigo regime) ou os que nos atacaram.''
Horas depois, em Bagdá, o chefe adjunto das operações no Iraque, general Mark Kimmitt, reafirmou que morreram 54 combatentes iraquianos, 22 ficaram feridos e outro foi capturado.
O tenente-coronel Ryan Gonsalves, comandante do 166º batalhão blindado, também afirmou não saber dos corpos. O número, fornecido pelo Exército, é baseado em relatórios que recebemos (dos oficiais) em campo'', precisou.
O tenente Joseph Marcee, que participou dos combates, declarou ''ter visto vários atacantes mortos'', mas ''não tivemos tempo de recolhê-los. fomos vítimas de tiros disparados em várias direções''.
Na cidade, também ninguém viu os corpos. Só o diretor do único hospital de Samarra, Abed Toufic, anunciou oito civis mortos, entre eles uma mulher, uma criança e um peregrino iraniano, além de 60 feridos.
Abdelrazak Jadua, de 55 anos, que tem uma loja a 50 metros do local lugar, não tem dúvidas. ''Depois dos bombardeios, saí de minha loja para ver como estavam meus vizinhos. Não havia nem feridos nem mortos na rua. Como os corpos puderam desaparecer?'', perguntou.

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