Míssil partiu de área rebelde, diz Obama
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sexta-feira, 18 de julho de 2014
Isabel Fleck<br>Folhapress 
Nova York - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta sexta-feira ter evidências de que o avião da Malaysia Airlines foi derrubado "por um míssil terra-ar lançado de uma área no leste da Ucrânia controlada por separatistas apoiados pela Rússia".
A queda do Boeing-777, que ia de Amsterdã para Kuala Lumpur, capital da Malásia, deixou 298 mortos. Obama classificou o episódio como uma "tragédia global" e um "ultraje de proporções indescritíveis".
Apesar de evitar envolver diretamente Moscou na autoria do ataque, o presidente americano disse ser "impossível" que os rebeldes estejam agindo dessa forma sem o apoio "constante" da Rússia, com envio de armas pesadas e sistemas antiaéreos.
"Um grupo de separatistas não pode derrubar aviões de transporte militar ou, como eles alegam, derrubar caças sem equipamento e treinamento sofisticados. E isso tem vindo da Rússia", disse Obama, destacando três aeronaves militares da Ucrânia que teriam sido abatidas pelos rebeldes nas últimas semanas.
Pouco antes, a embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, havia subido mais o tom contra Moscou, alegando que "não se pode descartar a assistência de pessoal russo para operar os sistemas" de mísseis envolvidos. "É improvável que os separatistas possam ter efetivamente operado o sistema sem a ajuda de pessoal especializado", disse Power em reunião do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York. O conselho aprovou um pedido de investigação internacional "completa e independente", além do acesso de investigadores ao local.
A queda do avião acirra ainda mais a tensão entre Washington e Moscou. Nesta sexta, Obama ameaçou aumentar a pressão sobre Moscou. "Enquanto a Rússia seguir seus esforços de ajudar os separatistas, vamos deixar claro que temos a capacidade de endurecer contra eles. E vamos fazê-lo." Para ele, o episódio também serve de alerta para que países europeus considerem reforçar sanções à Rússia.
O presidente russo, Vladimir Putin - que não havia respondido às declarações de Obama até a conclusão desta edição -, também pediu nesta sexta um cessar-fogo entre separatistas e tropas ucranianas.


