O Exército de Israel matou ontem o chefe da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), um dos três componentes da OLP, Abu Alí Mustafá, confirmando a escalada do conflito nos últimos dias. Os palestinos acusam os israelenses de terem assassinado mais de cinquenta ativistas, suspeitos de terem realizado ou ordenado atentados antiisraelenses, mas essa é a primeira vez desde o início da Intifada, há onze meses, que Israel mata o líder nacional de uma formação política palestina.
Mustafá, de 63 anos, morreu e outros três palestinos ficaram feridos em um ataque a seu escritório, no centro de Ramallah, com dois mísseis disparados de um helicóptero, informou a rádio oficial Voz da Palestina. O Exército israelense confirmou imediatamente ter lançado um ataque ''contra o quartel general da FPLP com o objetivo de liquidar Abu Alí Mustafá''.
O Exército israelense justificou sua ação afirmando que ''ao contrário de suas promessas, Abu Alí Mustafá continuou se dedicando a atividades terroristas e era responsável por vários atentados contra Israel''.
Abu Alí Mustafá sucedeu Georges Habache na liderança desta organização palestina, que recusou os acordos de Oslo de 1993 sobre a autonomia palestina e reivindicou recentes tentativas de atentados antiisraelenses.
Seu assassinato ocorreu depois de uma reunão, na noite de domingo, do gabinete de segurança israelense, presidido pelo primeiro-ministro Ariel Sharon, que interrompeu suas férias.
O conselheiro do presidente palestino Yasser Arafat, Nabil Abu Rudeina, acusou Israel de ter ''ultrapassado a linha vermelha'' ao assassinar Abu Alí Mustafá, na Cisjordânia. ''Trata-se de uma nova escalada e de uma nova etapa muito perigosa que ultrapassou todas as linhas vermelhas'', declarou Abu Rudeina à AFP.
Por outro lado, um membro do braço político da Frente Popular de Libertação da Palestina, Maher Taher, afirmou em Damasco que ''este crime não ficará impune e a FPLP responderá a Israel, pois o sangue de Abu Alí Mustafá é muito precioso''.

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