Missão russa vai avaliar a atual situação da Mir
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de agosto de 1997
France Presse Baikanur, Casaquistão 
É muito possível que a missão russa que parte hoje para a estação orbital russa Mir não consiga fechar o buraco no módulo Spektr, provocado pela colisão de 25 de junho passado com um cargueiro espacial, informou o comandante da tripulação, Anatoli Solovev.
É muito provável que tenhamos que confiar este reparo à tripulação seguinte, disse Solovev, de 49 anos, um dos astronautas mais experientes da Rússia, na entrevista coletiva que a tripulação ofereceu antes de sua partida, que ocorrerá às 12h35 de Brasília da estação espacial de Baikunur.
Ao contrário, Solovev mostrou-se muito confiante nas possibilidades de que a missão possa restabelecer a seu nível normal a alimentação elétrica da estação, reduzida a uma terça parte desde que ocorreu a colisão. Este defeito elétrico impossibilitou desde então a maioria das experiências do laboratório espacial.
Os astronautas devem realizar no próximo dia 20 uma saída de cinco horas com roupa espacial no módulo Spektr, avariado e despressurizado para religar os painéis solares do módulo ao sistema de alimentação elétrica da estação.
Estes painéis foram apressadamente desligados no mesmo dia da colisão para isolar o módulo e evitar uma despressurização geral da Mir.
Solovev estimou que esta operação, apesar de ser apresentada como delicada por muitos especialistas, apresenta um nível de dificuldades entre meio e baixo.
Os astronautas avaliarão suas possibilidades de reparação quando tiverem realizado uma saída para o espaço no próximo 3 de setembro, destinada a examinar do lado de fora o buraco causado pela colisão e cujo tamanho é similar ao de um torrão de açúcar. Tudo dependerá de seu tamanho e sua forma, segundo Solovev.
Apesar das incertezas, Solovev e Vinogradov apareceram diante da imprensa serenos e sorridentes, respondendo com todos os detalhes aos jornalistas e isolados por um vidro de qualquer contaminação eventual.


