Missão Ross é considerada um fracasso
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sábado, 10 de janeiro de 1998
Moisés Rabinovici Jerusalém 
France PresseChekpointSoldado israelense examina documento de palestino, enquanto garoto passa sob suas pernas, em JerusalémIsraelenses e palestinos concordaram ontem que a missão do mediador americano Dennis Ross foi um fracasso: as diferenças entre eles parecem maiores e irreconciliáveis para as reuniões de cúpula na Casa Branca entre o presidente Bill Clinton e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, dia 20, e o presidente Yasser Arafat, dia 22.
Paz? As ruas centrais de Jerusalém foram ocupadas ontem pela manhã por soldados, que também eram visíveis em telhados de casas e patrulhando a cavalo, mobilizados por um alerta a um novo atentado. A operação de guerra será repetida amanhã.
Convocados pelo canto do muezim, cerca de 200 mil palestinos muçulmanos rezaram na mesquita de Al Aksa, ontem, a segunda sexta-feira do mês sagrado do Ramadã. O sermão incluiu uma crítica à brandura da sentença de dois anos de prisão dada à russa-israelense Tatiana Susskin, que espalhou cartazes retratando o profeta Maomé como um porco. Mas os fiéis desceram do Monte do Templo sem manifestações.
O embaixador especial da Casa Branca, Dennis Ross, encerrará hoje sua nova tentativa de aproximar as posições cada vez mais distantes dos israelenses e palestinos. Se pretendia obter uma porcentagem maior de devolução de terras da Cisjordânia à Autoridade Palestina, então desbloqueando dez meses de paralisia no processo de paz, está partindo frustrado. O primeiro-ministro Netanyahu, refém dos partidos religiosos e nacionalistas desde a renúncia do ex-chanceler David Levy, declarou numa entrevista ao jornal Maariv, ontem, que se dispõe a mais uma única retirada, e não as três previstas por acordo, e a executará apenas meses depois, sob a condição de que os palestinos cumpram os compromissos assumidos de atacar o terrorismo islâmico, reduzir a própria força de segurança e extraditar terroristas.
Se Dennis Ross pretendia reavivar o pedido de congelar a colonização na Cisjordânia, feito pela secretária de Estado Madeleine Albright, pôde ler na manchete do jornal Haaretz, também ontem, que há mais 30.200 novas casas projetadas para colônias na Cisjordânia e em Gaza até o ano 2020. Ele já tinha criticado na quinta-feira outro projeto anunciado de novas construções. Este é o tipo de ação que não ajuda a colocar o processo de paz de novo nos trilhos.
Com a maioria mínima de um voto no Parlamento, Netanyahu manobra para ganhar tempo. Entre facções que o derrubarão a qualquer movimento que fizer na Cisjordânia, retirando-se ou permanecendo, ele espera o momento de convocar eleições antecipadas em Israel, antes que o Partido Trabalhista as convoque, e quando a questão para os eleitores for uma só: o destino do país, completando 50 anos em maio. O último moderado que restou no governo, o ministro da Defesa Yitzhak Mordechai, já avisou que espera só mais três meses antes de renunciar.


