Uma primeira missão de observação internacional visitou, ontem, sem obstáculos, zonas controladas pelas forças sérvias ao norte e a oeste de Pristina, capital da província de Kosovo. Composta de vinte diplomatas, a missão atravessou várias localidades onde as forças sérvias combateram recentemente a guerrilha separatista do Exército de Libertação de Kosovo (UCK). Não foram ouvidos tiros durante o percurso feito pelos diplomatas, que também tiveram que parar en diferentes postos de controle da polícia sérvia.
A missão, dirigida pelo encarregado de negócios norte-americano Richard Miles e pelo embaixador russo Iuri Kotov, compreende também diplomatas de outros países do Grupo de Contato (França, Alemanha, Grã-Bretanha e Itália) e representantes da Áustria e da Polônia, que assumem respectivamente a presidência da União Européia (UE) e da Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
O princípio de uma presença diplomática contínua em Kosovo foi acertado entre os presidentes Slobodan Milosevic. da Iugoslávia, e Boris Yeltsin, da Rússia, durante as reuniões de 16 de junho em Moscou.
A visita dos observadores, que deixaram Pristina pouco depois das 11 horas, durou cerca de três horas; eles foram a Kosovska Mitrovica, a Srbica e a Donji Prekaz, na região de Drenica, onde as forças sérvias haviam lançado no final de fevereiro uma primeira grande operação contra o UCK.
A situação na zona visitada ‘‘não mudou muito nos últimos três meses’’, notou o embaixador da França, Stanislas Filliol, constatando que os aldeias entre Kosovska e Srbica estavam vazias.
‘‘A presença de observadores é compreendida por ambas as partes, o que considero estimulante (...) Atenuará o clima de tensão e, acredito, também reduzirá progressivamente os combates’’, estimou Filliol.
Miles qualificou a viagem de ‘‘simbólica’’: ‘‘Inaugura a missão de observação em Kosovo e suas patrulhas’’, que percorrerão diariamente a província’’, declarou.
‘‘As verdadeiras patrulhas começarão neste final de semana, provavelmente sexta-feira, com várias a cada dia’’, segundo Miles.
Separatistas O Exército de Libertação de Kosovo (UCK), que os Estados Unidos desejam incorporar às negociações de paz com Belgrado, é o braço armado dos separatistas albaneses desta província do sul da Sérvia.
O UCK se manifestou pela primeira vez no final de 1995, reivindicando um ataque contra um posto policial em Kosovo. A organização teria sido criada em 1992 graças à ajuda financeira e logística dos meios radicais da diáspora albanesa, segundo fontes sérvias.
Com a força que lhe dá o êxito armado, o UCK, que tenta se converter em partido político, anunciou a 15 de junho passado estar disposto a negociar com Belgrado.

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