Damasco - A Liga Árabe reconheceu que os tiros contra manifestantes anti-regime continuam na Síria, apesar da presença da missão de observadores árabes, cujo papel tem suscitado controvérsia.
Três civis foram mortos ontem em Homs (centro) pelas forças de segurança, que fizeram disparos em vários bairros desta cidade, centro da contestação contra o regime do presidente Bashar al-Assad, informou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).
Ao mesmo tempo, grupos de observadores visitaram áreas de Homs, Deraa (sul) e Idleb (noroeste), segundo a televisão estatal. A França expressou mais uma vez suas dúvidas sobre a missão.
''As condições nas quais esta missão de observação está acontecendo devem ser esclarecidas'', disse ontem o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, ao canal de televisão francês I-TV.
Já para o presidente francês Nicolas Sarkozy, o presidente Bashar al-Assad deveria abandonar o poder e deixar que seu povo decida livremente seu destino.
O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, pediu anteontem ''o fim completo dos tiros'' na Síria, onde a repressão sangrenta do regime já matou mais de 5.000 pessoas desde março, segundo a ONU.
De acordo com os ''relatórios mais recentes'' recebidos por telefone dos observadores na Síria ''ainda há tiroteios e franco-atiradores'' nas cidades, ''é necessário uma cessação total dos tiros'', acrescentou.
''Um dos objetivos da missão era garantir a libertação de 3.484 prisioneiros detidos pelo governo sírio em quatro etapas. A libertação de um novo grupo será anunciada em breve. Os tanques se retiraram das cidades e de seus arredores. Mas, de acordo com relatos, franco-atiradores continuam a operar a partir de telhados de edifícios e há violência contínua'', afirmou Arabi.

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