Missão da UE tenta diálogo em Argel
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sábado, 10 de janeiro de 1998
AE-Reuters Bruxelas 
France PresseCivil argelino armado observa movimentação nas ruas de Qued El Kerma, Oeste do país. Governo distribui armas para que a população se defendaA delegação que a União Européia (UE) enviará à Argélia partirá em no máximo duas semanas para dialogar com o governo argelino, não para investigar os sucessivos massacres que sacodem o país, informaram ontem funcionários europeus. Não é uma missão de investigação, ressaltou uma fonte da Comissão Européia (órgão executivo da UE), sem descartar, entretanto, a possibilidade de que a delegação se reúna com representantes da oposição argelina.
Centenas de civis foram massacrados por extremistas islâmicos argelinos desde o início do mês do Ramadã, no princípio da semana passada. Alguns observadores acusam os militares argelinos de envolvimento nos massacres.
Argel concordou com o envio da delegação - que será formada por secretários de Estado ou diretores políticos das chancelarias da Grã-Bretanha, Áustria e Luxemburgo - sob a condição de que seu objetivo seja apenas o de oferecer ajuda para combater o terrorismo, não investigar as matanças. Argel culpa os rebeldes integristas muçulmanos pelos massacres, mas sobreviventes acusam o Exército de inação.
O mandato preciso e a data da missão da UE ainda estão para ser definidos (o que deve ocorrer terça-feira), mas funcionários europeus disseram que provavelmente a delegação visitará apenas Argel, sem ir ao oeste do país, região na qual mais de mil civis foram mortos desde o dia 30 - 500 deles na noite de segunda para terça-feira na vila de Had Chekala, segundo novas versões divulgadas por jornais argelinos. Anteriormente a imprensa informara que haviam sido mortas 200 pessoas em Had Chekala.
Ainda ontem, o Parlamento Europeu anunciou que mandará, provavelmente em fevereiro, uma delegação de deputados à Argélia para manter contatos com legisladores e representantes da sociedade civil. O grupo será liderado pelo deputado verde alemão Daniel Cohn-Bendit.
Em Hamburgo, o ministro do Exterior da Alemanha, Klaus Kinkel, pediu que o governo da Argélia inicie um diálogo com os extremistas islâmicos para por fim aos massacres de civis.
A chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Sadako Ogata, pediu à União Européia que aceite receber refugiados argelinos no caso de uma fuga em massa de cidadãos assustados com a onda de violência extremista na Argélia. Ogata apelou aos países europeus para que não devolvam os refugiados à Argélia no caso de seus pedidos de asilo serem rechaçados.


