Paulo Sotero
Agência Estado
De Washington
O Conselho de Segurança das Nações Unidas enviou na noite de anteontem uma missão à Indonésia para discutir formas de conter a violência em Timor Leste e garantir a execução dos resultados do plebiscito, no qual 80% dos eleitores da antiga província portuguesa de 850 mil habitantes votaram pela separação da Indonésia.
O mandato limitado que a missão de cinco diplomatas recebeu na noite do domingo, durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, não inclui, por ora, a formação de uma força internacional de paz. A ida da missão a Dili, a capital do território, é incerta e depende da evolução das precárias condições de segurança.
Uma fonte diplomática disse à AE que a organização de uma força de paz depende da disposição do governo da Indonésia de demonstrar que aceita o desejo de independência da maioria dos timorenses e de agir contra os grupos paramilitares contrários à separação. ‘‘Ninguém vai lutar para desembarcar’’, disse, no domingo, o ministro das Relações Exteriores da Inglaterra, Robin Cook, deixando clara a falta de vontade de seu país para colocar soldados em risco.
Os Estados Unidos compartilham essa posição com a Inglaterra. ‘‘Se a Indonésia não é capaz de restaurar a ordem com suas próprias forças de segurança em Timor Leste, deve ao menos permitir que a comunidade internacional ajude a garantir uma transição ordeira’’, acrescentou Cook.
Até agora, Jacarta recusou-se a autorizar a presença de tropas estrangeiras em Timor Leste e fez disso uma condição para a realização da votação sobre a independência, em negociações com Portugal e os Estados Unidos, no início do ano. A decisão da ONU de despachar a missão a Jacarta foi tomada atendendo aos apelos do líder do movimento pró-independência, José Ramos Horta, diante das informações de que gangues antiindependência assumiram o controle do território e mataram pelo menos cem pessoas em dois dias.
Ontem pela manhã, Ramos Horta pediu ao governo brasileiro empenho diplomático junto a Jacarta em reunião na residência do chefe da missão brasileira junto às Nações Unidas, embaixador Gelson Fonseca. Participou da conversa o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa, que estava em Nova York.
O Brasil ocupa atualmente uma das dez vagas rotativas do Conselho de Segurança. No encontro, Ramos Horta enfatizou a importância do papel da Indonésia na restauração da ordem. Segundo ele, os grupos paramilitares, que surgiram sob a proteção do regime de Suharto, o ex-ditador indonésio, atuam hoje de forma autônoma.
Segundo o líder timorense, as forças policias e militares indonésias que estão em Timor têm assistido de braços cruzados às ações das gangues e nada fizeram para impedir o ataque, no domingo, contra a residência do bispo Carlos Ximenes Belo, em Dili. Dois anos atrás, Belo e Ramos Horta receberam o prêmio Nobel da Paz pela liderança do movimento pacífico em favor da independência de Timor Leste.Diplomatas vão discutir formas de conter a violência, o que não inclui, por enquanto, o envio de uma força de paz para proteger a população
Associated Press‘‘Limpeza’’Caminhão militar conduz timorenses para lugares incertos. Teme-se plano de deslocamento em massa da populaçãoAssociated PressMedoRefugiados na casa do bispo Carlos Belo, no domingo, antes da invasão, quando 30 teriam sido executados

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