Agência Estado
De Brasília
O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira o envio de uma tropa brasileira ao Timor Leste. O pelotão de 50 homens da Polícia do Exército de Brasília, composto apenas por voluntários, deverá juntar-se aos demais integrantes da ‘‘missão de imposição de paz’’ em Timor Leste, organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo o ministro da Defesa, Élcio Álvares, a operação deverá custar cerca de R$ 10 milhões, e a verba será liberada por meio de uma Medida Provisória a ser assinada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. De acordo com o Itamaraty, a Austrália deverá fornecer transporte e alimentação à tropa, mas as despesas serão reembolsadas pelo Brasil.
O porta-voz do Planalto, Georges LamaziSre, informou ontem que o número de militares que participariam da missão foi deterninado pelo governo australiano, que considerou mais apropriado um efetivo menor.
Os australianos chegaram a pedir 30 homens, mas o governo brasileiro acertou o embarque de um pelotão com 50 soldados. Esse número, no entanto, poderá ser ampliado, em uma segunda etapa, quando já se tiver noção de como a missão será desenvolvida.
Os soldados brasileiros terão uma participação importante na missão, de acordo com os militares, principalmente porque falam português, a língua oficial do Timor. Como os voluntários falam também inglês, eles farão uma ponte com a população timorense, servindo como uma espécie de intérpretes aos demais soldados.
Os soldados que integram a PE são especializados em dissolver distúrbios, evitar saques, controle de pessoal, escoltas, além de proteção de instalações, pontes e estradas.
A idéia inicial era de que o pelotão embarcaria neste final de semana.
Só que como eles precisavam tomar vários tipos de vacinas, algumas não disponíveis em Brasília. Além disso, o governo australiano, na madrugada de anteontem, ao saber que o Brasil estava pronto para viajar ontem, solicitou que se aguardasse um sinal já que aproveitaria o final de semana para preparar os alojamentos para os soldados brasileiros.
Na quarta-feira, deputados da oposição reclamaram ao embaixador Ivan Cannabrava, subsecretário-geral de Assuntos Políticos, sobre a participação do Brasil em Timor, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, classificando de ‘‘pífia’’ a participação do Brasil. ‘‘É uma participação muito tímida’’, disse o deputado Pedro Valadares (PSN-SE), que foi observador da ONU em Dili durante as eleições, no mês passado.

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