Cinco mil religiosos, entre eles milhares de bispos e cardeais do mundo inteiro, celebraram ontem, na Praça São Pedro, uma missa com o papa João Paulo II. O ofício religioso bateu o recorde em termos de participantes.
Em nome de seus colegas, o cardeal colombiano Darío Castrillón Hoyos, prefeito da Congregação para o Clero, desejou um feliz aniversário a João Paulo II.
‘‘Dou graças por seus cabelos brancos, graças ao sofrimento que o transformou no mais querido para todos nós. Dou graças por esses passos fisicamente esgotados, mas espiritualmente intrépidos’’, disse o cardeal sul-americano.
Castrillón Hoyos classificou o chefe da Igreja Católica de ‘‘atleta que percorre sem descanso os caminhos do mundo’’ e que ‘‘navega nos mares das diversidades culturais’’.
O Sumo Pontífice, movendo-se com dificuldade e apoiando-se, com o rosto tenso, no cajado pastoral iniciou a cerimônia declarando aos sacerdotes: ‘‘Cantarei sempre o amor ao Senhor: eis aqui minha confissão de fé, meu hino de gratidão ao Senhor, que me permite celebrar hoje, com vocês, a eucaristia, com a alegria do espírito de juventude por ocasião de meus 80 anos’’.
‘‘O Senhor quis unir minha existência à graça do ministério sacerdotal, como bispo e como sucessor de Pedro, para ser assim testemunha do amor de Deus pela Humanidade inteira nesta era tão fascinante’’, acrescentou o Pontífice.
No curso da missa, inúmeros cardeais, bispos, sacerdotes e fiéis rezaram pelo papa ‘‘com o júbilo e a alegria de todo o povo de Deus, pela graça de seus 80 anos’’.
O papa se ordenou como sacerdote na Cracóvia, Polônia, em novembro de 1946, depois de ter terminado seus estudos de seminarista na clandestinidade.
Uma edição especial do Osservatore Romano publica os testemunhos de inúmeras personalidades, entre eles o do presidente da República Tcheca, Vaclav Havel, da ex-presidente da Nicarágua, Violeta de Chamorro, e do ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachov.
Para o ex-líder soviético, João Paulo II é ‘‘um homem excepcional’’, que seguiu um ‘‘caminho exaltante e difícil’’, que viveu ‘‘épocas diferentes’’ e que ‘‘fez todo o possível para ajudar a Humanidade a sair de uma época de ódio e de muro contra muro’’, a fim de conseguir ‘‘uma nova ordem de paz, justiça e humanismo’’.
Os jornais italianos dedicaram a João Paulo II suas primeiras páginas, assim como inúmeros comentários e editoriais, feitos por personalidades do mundo inteiro, que enviaram seus parabéns, entre eles Bill e Hillary Clinton, Yasser Arafat, Ehud Barak, o patriarca de Moscou Alexis, o prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, e o tenor Luciano Pavarotti.
Depois da missa, o papa participou de um almoço com todos os concelebrantes da missa na sede do Hotel Santa Marta. Durante a tarde, assistiu, no auditório Paulo VI, a um concerto da Orquesta Sinfônica de Londres.

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