Missa campal reúne 1 milhão de fiéis
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segunda-feira, 25 de janeiro de 1999
France-Presse 
O Papa João Paulo II procurou confortar novamente os povos indígenas, aconselhando-os a superar com esperança as difíceis situações que atravessam e exigiu que todos os mexicanos tenham o necessário para levar uma vida digna.
Em sua homilia, durante a missa campal realizada ontem no autódromo Hermanos Rodríguez, diante de um milhão de pessoas, o Papa saudou especialmente os indígenas, de quem - disse ele - admira o valor de sua cultura. Para ele, os povos indígenas devem trabalhar por seu próprio desenvolvimento e promoção.
Desde sua partida de Roma, na sexta-feira, o Papa abordou em várias ocasiões sua preocupação com a preservação das culturas indígenas. Por três vezes, aconselhou o país ao diálogo e à conciliação com a população indígena.
No estado mexicano de Chiapas (Sul do país), a situação é de confronto, desde janeiro de 1994, por causa da guerrilha indígena zapatista do subcomandante Marcos, cujas negociações de paz com o governo permanecem suspensas há dois anos. A região também registra a ação de grupos paramilitares, acusados de dezenas de homicídios.
Diante da Virgem de Guadalupe, o Papa disse ontem que deposita nela os anseios e esperanças dos povos indígenas com sua própria cultura, assim como com suas aspirações e o desenvolvimento a que têm direito.
Em sua homilia, João Paulo II afirmou que, num país em que 50% da população vive na pobreza, é necessário que todos e cada um dos filhos desta pátria tenham o necessário para uma vida digna. Todos os membros da sociedade são iguais em dignidade, pois são filhos de Deus, e portanto merecem todo respeito e têm direito a se realizar plenamente, na justiça e na paz, acrescentou.
Em sua mensagem, João Paulo II exortou as autoridades a seguir trabalhando pelo bem de todos, com um profundo sentido de Justiça, segundo as responsabilidades que lhes são conferidas.
O mundo atual põe em xeque, em algumas ocasiões, os valores transcendentes da pessoa humana, sua dignidade e sua liberdade, seu direito inviolável à vida. Os critérios dominantes são outros. Eles colocam em perigo o desenvolvimento harmônico e o progresso pleno das pessoas e dos povos, afirmou.
Por isso, os cristãos têm que ser como a alma deste mundo, para renovar seu espírito, sua vida e coopere com a construção de uma nova sociedade, regida pelo amor e pela verdade, disse o Papa.
A missa de ontem foi a que reuniu o maior número de pessoas durante a visita do Papa ao México, que começou na sexta-feira. Quase todos os fiéis passaram a noite no autódromo, enfrentando o frio e a chuva, para poder assistir à missa campal.


