Ministros das finanças asiáticos e europeus chegaram a um acordo ontem para revitalizar um fundo e criar outro para prevenir as grandes turbulências cambiais que causaram crises financeiras na Ásia dois anos atrás.
Ao final dos dois dias do Encontro Ásia Europa (Asem, na sigla em inglês), os dez ministros asiáticos e 15 europeus decidiram injetar novos recursos num fundo para treinar funcionários encarregados de reformar os setores empresariais e financeiros da Ásia.
Eles também aprovaram uma proposta apresentada pelo Japão de criar outro fundo, que será empregado no estudo da cooperação monetária regional e demétodos para estabilizar as moedas.
Não se sabe o volume de recursos que cada fundo terá. ‘‘A cooperação econômica e monetária é vital para a promoção da estabilidade internacional’’, disse o ministro das Finanças do Japão, Kiichi Miyazawa.
Funcionários europeus disseram que o diálogo entre as duas regiões foi crucial para evitar a repetição de crises financeiras e pediram aos governos asiáticos políticas econômicas mais abertas e transparentes.
O Banco do Desenvolvimento Asiático prevê que as economias do Sudeste Asiático crescerão 5,1% em 2001. Em 2000, estima-se que esse índice tenha ficado em 4,8%. E em 1999, o crescimento foi de 2,9%.
O objetivo das conversações entre as equipes econômicas européias e asiáticas é o estreitamento de ligações que tradicionalmente foram colocadas em segundo plano, por causa da prioridade dada por ambas as regiões às relações com os Estados Unidos.
A importância dos EUA, no entanto, especialmente para as economias asiáticas, ficou evidente no sábado, quando as discussões foram dominadas pelos temores de que o crescimento econômico americano, depois de uma década, está chegando ao fim. ‘‘Todo mundo está observando o que vai acontecer na medida em que a economia dos EUA se desacelera’’, disse Miyazawa aos repórteres.
O encontro de Kobe foi o terceiro do gênero. Em seus dois outros encontros, em setembro de 1997 e janeiro de 1999, os ministros das Finanças dedicaram a maior parte de suas atenções aos esforços de reconstrução das economias asiáticas.
Naquelas ocasiões, eles recomendaram a redução da dependência das exportações, a restruturação das dívidas e a busca de assistência de organismos internacionais como o FMI.

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