Nicolas Miletitch
France Presse
De Moscou
As forças russas vão ‘‘libertar não só Grozny, como toda a Chechênia’’, afirmou ontem o ministro russo da Defesa, Igor Segueiev, reconhecendo assim, pela primeira vez, que Moscou quer pôr fim à independência da república rebelde do Cáucaso. O exército ‘‘tem todo o apoio do presidente russo’’ Boris Yeltsin e do governo e ‘‘garante que não será detido’’.
Numerosos responsáveis militares russos afirmam que podiam ter ganho a primeira guerra da Chechênia (dezembro de 1994 a agosto de 1996), se não tivessem sido ‘‘traídos’’ pelos dirigentes políticos de Moscou.
A declaração de Igor Sergueiev foi feita logo depois do pedido do presidente norte-americano Bill Clinton ao Primeiro-Ministro russo, Vladimir Putin, para que se encontre uma solução política para a Chechênia. Boris Yeltsin decidiu suspender suas férias no Mar Negro e voltar a Moscou, para se reunir com Vladimir Putin, anunciou o Kremlin.
A operação terrestre empreendida em 1º de outubro foi apresentada, de início, como destinada a estabelecer um cordão de segurança em torno da Chechênia, acusada de servir de refúgio a islâmicos que provocaram rebeliões armadas em agosto e setembro no Daguestão. Esses islâmicos são acusados por Moscou de instigar os atentados que provocaram 293 mortes na Rússia, em agosto e setembro.
Pouco a pouco, Moscou tem insistido na necessidade de ‘‘liquidar os terroristas’’ na Chechênia, justificando assim os ataques aéreos e os disparos de artilharia cotidianos contra a república.
A sudoeste de Grozny, os russos se encontram a apenas 2 km do povoado de Andreievskoye, um subúrbio da capital, segundo um correspondente da AFP no local.
No posto fronteiriço de Kavkaz, na fronteira entre Chechênia e Ingushétia, a situação continua dramática, com milhares de pessoas esperando refugiar-se na Ingushétia, enquanto os militares russos só deixam passar cerca de 200 refugiados por dia.
Uma missão da ONU partiu ontem, ao Cáucaso do Norte, para estudar as necessidades dos refugiados.
A missão, dirigida por um representante do Alto Comissariado para os Refugiados (ACNUR), Nikolas Kossidis, deve passar três dias na Ingushétia e dois dias no Daguestão.

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