O ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, pretende convencer os secretários estaduais de que podem cortar gastos desnecessários para evitar a perda de recursos com a implantação do Piso de Assistência Básica (PAB). O PAB prevê a aplicação de R$ 1,00 por habitante/mês em procedimentos simples, como consultas, em cerca de 3 mil municípios a partir de outubro. ‘‘Os secretários dizem que vão perder verbas federais destinadas aos serviços mais complexos, mas isso não vai acontecer se eles cortarem, por exemplo, os gastos supérfluos, principalmente com exames caros’’, afirmou.
A criação do PAB sinaliza a prioridade do ministério para as ações preventivas de saúde. Mas significa também que os estados terão de reduzir sua participação financeira em serviços mais complexos, como exames sofisticados, transplantes e hemodiálise, para compensar o aumento da aplicação nos serviços básicos.
O secretário de Assistência à Saúde do Ministério, Antônio Werneck, informou que está realizando um levantamento dos serviços de alta complexidade para discutir com os estados onde seria possível cortar ‘‘gorduras’’ e evitar supérfluos. O ministro não tem números, mas imagina que só a redução dos gastos com exames sofisticados pode compensar a possível perda dos Estados. ‘‘São Paulo tem mais ressonância magnética do que o Canadᒒ, ponderou.
Para Werneck, o investimento em saúde preventiva dará resultados no máximo em dois anos, com a redução da necessidade de internação e das mortes por doenças que poderiam ter sido controladas em ambulatórios, como a hipertensão ou a diabetes. ‘‘A intenção é controlar um hipertenso, para evitar que ele chegue à cirurgia cardíaca’’, argumentou. Até lá, o secretário acha que os estados devem gerir melhor os procedimentos mais caros, o que, segundo os secretários de saúde, é impossível.
Reunido em Brasília na última rodada de discussões sobre o assunto com o Ministério, o Conselho de Secretários de Saúde alegou que os estados não terão como justificar a limitação de atendimento à demanda crescente nos hospitais. O próprio secretário admite que aumenta a cada ano, por exemplo, o número de pacientes renais que precisam de hemodiálise. Um novo encontro com os técnicos do ministério está marcado para quinta-feira.

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