Bagdá- A conferência internacional sobre o Iraque foi aberta ontem em Bagdá com um apelo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki a seus vizinhos para que parem suas ingerências nos assuntos iraquianos e apóiem a luta contra o terrorismo.
Durante as discussões, três obuses de morteiro caíram ontem a ''cerca de 30 metros'' do ministério das Relações Exteriores, onde está sendo realizada a conferência.
Localizado junto à Zona Verde, o perímetro superprotegido da capital, o ministério sofreu apenas danos leves. Não há registros de feridos.
No entanto, cinco pessoas foram mortas e outras 10 ficaram feridas ontem, quando um carro-bomba explodiu no centro de Bagdá, informaram os serviços de segurança. Todas as vítimas são civis, acrescentaram as fontes.
Os representantes de 17 países e organizações internacionais, entre eles os Estados Unidos e seus principais inimigos, o Irã e a Síria, participam da conferência internacional sobre o Iraque, na chancelaria em Bagdá.
Em sua intervenção na abertura da conferência, Maliki pediu aos países vizinhos do Iraque que parem com suas ingerências, e lançou um apelo à cooperação internacional contra o terrorismo.
''É preciso parar com todas as formas de ajuda financeira e logística, incitação religiosa e suprimento de armas que servirão para matar nossos filhos, nossas mulheres e as pessoas idosas ou a atacar nossas mesquitas e nossas igrejas'', acrescentou.
O premier iraquiano não citou nenhum nome, mas se expressava na presença dos representantes sírios e iranianos, dois países acusados pelos Estados Unidos de alimentar a rebelião no Iraque.
Alguns integrantes do governo de Maliki, um xiita, também acusaram os sauditas de financiar os extremistas sunitas.
''O terrorismo que mata hoje iraquianos em Bagdá, Hilla e Mossul, em Al-Anbar, é o mesmo que vitimou as populações da Arábia Saudita e do Egito, atacou as Torres Gêmeas em Nova York e atingiu os trens de Madri e de Londres'', prosseguiu Maliki.
''Trata-se de uma epidemia internacional cujo preço é pago pelo povo iraquiano'', sustentou.
Quatro anos depois da invasão do Iraque, os Estados Unidos e seus aliados ainda não conseguiram acabar com a violência no país. Mais de 34.000 iraquianos morreram em ações violentas em 2006, de acordo com as Nações Unidas.
Todos os olhares estavam voltados ontem para os representantes dos Estados Unidos, do Irã e da Síria, que poderiam manter discussões bilaterais durante a conferência.
Os americanos acusam o Irã de fornecer armas às milícias xiitas, assim como elementos necessários para a fabricação das ''roadside bombs'', os artefatos explosivos colocados na passagem das patrulhas americanas nas estradas.
Washington também acusa a Síria de facilitar a infiltração no Iraque de extremistas sunitas.
Além do Iraque e dos Estados Unidos, participam da conferência Irã, Síria, Arábia Saudita, Jordânia, Kuwait, Egito, Turquia e Bahrein; Rússia, China, França e Grã-Bretanha; assim como a Liga Árabe, a Organização da Conferência Islâmica e a ONU.
Hospitalizado desde o dia 25 de fevereiro por estresse e desidratação, o presidente iraquiano, o curdo Jalal Talabani, acompanha a conferência de Bagdá pela televisão.

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