Um dos membros do gabinete de Lionel Jospin luta contra a morte: Jean-Pierre Chevnement, ministro do Interior. Ele foi operado na manhã de quarta-feira, numa intervenção bem-sucedida na vesícula biliar, mas depois foi atacado por uma grave alergia ao curare, integrante do coquetel anestésico que lhe foi aplicado.
Uma hora de parada cardíaca. Depois, o coma. Os sombrios prognósticos levaram Jospin a nomear Jean-Jack Queyranne, o secretário de Além-Mar, ministro do Interior interino.
A ausência ou, no pior dos casos, a partida de Chevnement, abalará toda a equipe de Jospin. O ministro do Interior é um peso pesado, um verdadeiro estadista. Mais rude que simpático, um pulso de ferro, ele é um homem de princípios. Foi ministro da Defesa Nacional nos tempos da guerra do Golfo, na presidência de Mitterrand. Chevnement desaprovou a operação norte-americana, demitindo-se.
Após essa ruptura com a família socialista, uma longa caminhada pelo deserto. Mas, ao mesmo tempo, lançou o ‘‘movimento dos cidadãos’’, inspirado nas palavras República, Virtude, Nação, Rigor e Justiça.
Há um ano o socialista Lionel Jospin recebeu do presidente Jacques Chirac a missão de formar um governo. Jospin, que não gostava muito de Mitterrand, não escolheu nenhum ‘‘elefante’’ - assim são chamados os próceres do Partido Socialista que cercavam Mitterrand. Jospin só nomeou jovens desconhecidos, a não ser um: Jean-Pierre Chevnement.
Desde então, chefiando seu poderoso ministério, Chevnement realizou um belo e portentoso trabalho. Em suas mãos férreas a polícia começou a marchar direito, transformando-se numa instituição realmente ‘‘republicana’’. Ao mesmo tempo, abordou os assuntos delicados: a ordem na sempre revoltosa ilha de Córsega, a luta contra a criminalidade, contra o terrorismo...
E, principalmente, regulamentou a imigração. Enquanto muitos de seus correlegionários tendem à lassidão quanto à regularização da presença de estrangeiros ‘‘sem-papéis’’, Chevenment a rejeita.

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