São Paulo - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, criticou ontem as tentativas de uso político da morte de Boris Nemtsov, opositor ao presidente Vladimir Putin. Nemtsov foi assassinado com quatro tiros nas costas na noite de sexta-feira no Centro de Moscou, dois dias antes de um protesto convocado por ele contra a participação russa no conflito no Leste da Ucrânia.
Em discurso no Conselho de Direitos Humanos da ONU, Lavrov chamou o homicídio de "crime hediondo" e disse que a morte será "totalmente investigada" pelo governo, sob ordem imediata de Putin e controle especial. Ele criticou a interferência externa na investigação e o que chamou de tentativa de usar a morte para substituir os órgãos de investigação russos, "com o uso de interpretações abertamente politizadas, sem fundamento e provocadoras".
O Comitê de Instrução da Rússia, que ofereceu uma recompensa de 3 milhões de rublos (US$ 50 mil) por "informação valiosa", trabalha com várias hipóteses sobre os possíveis motivos do assassinato. Os investigadores não descartam que o assassinato do líder opositor seja uma tentativa de desestabilizar a situação na Rússia ou vingança pessoal. Nemtsov era um dos maiores críticos da atuação da Rússia nos assuntos internos da Ucrânia e tinha denunciado que milhares de soldados russos combatiam ao lado dos separatistas.
Ontem, a mulher ucraniana que acompanhava Nemtsov disse não ter visto os autores do crime. "Não sei de onde veio o assassino. Não o vi, já que tudo ocorreu às minhas costas", afirmou a modelo Anna Duritskaya ao canal de televisão Dozhd.

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