Ministro de Israel ameaça fazer ''arder'' o Líbano
Associated Press
De Beirute
Israel voltou a atacar ontem o Líbano e advertiu que fará o país arder se o grupo guerrilheiro Hezbolá lançar retaliações contra o território israelense. Se caírem (foguetes) Katyusha em nossos assentamentos, o solo do Líbano vai arder, afirmou o chanceler David Levy a diplomatas estrangeiros convocados especialmente para ouvir o recado.
Deixemos todo mundo ouvir: interesses vitais do Líbano vão arder em chamas e levará muitos anos para restaurá-los, acrescentou, um dia depois que a aviação israelense lançou seu maior ataque ao Líbano em oito meses, ferindo 15 civis e destruindo três centrais elétricas, o que forçou o país a iniciar um severo racionamento. Também foi atacada uma base guerrilheira, sem vítimas.
O chanceler libanês, Selim Hoss, afirmou que a ameaça de Levy é parte do terrorismo israelense contra o Líbano. Ao fazer tais ameaças, ele nos lembra da mentalidade genocida que caracterizou o nazismo de Hitler, disse Hoss. Ele ressaltou que as ações da guerrilha são uma resposta à ocupação israelense do sul do Líbano.
No início do 11º dia seguido de bombardeios em retaliação contra a morte de soldados israelenses pelo Hezbolá, helicópteros do Estado judeu atacaram na madrugada de ontem um edifício de 11 andares na cidade costeira de Tiro, ferindo três civis e espalhando o pânico pela cidade, que não era bombardeada desde a ofensiva israelense de 1996. Durante o dia, jatos de Israel dispararam 12 mísseis contra três supostas posições guerrilheiras em Jabal al-Daher, na periferia de Nabatiyeh e na vizinha Wadi al-Hojair, sem deixar vítimas. À noite, a aviação lançou mais seis mísseis contra três posições do Hezbolá em Majdel Silim, perto da zona de segurança ocupada pelas tropas israelenses no sul do Líbano.
Temendo represálias do Hezbolá, dezenas de milhares de moradores da Galiléia, no norte de Israel, permaneceram em abrigos subterrâneos pelo segundo dia seguido. Mas o grupo guerrilheiro libanês continuou concentrando suas retaliações apenas em alvos militares dentro da zona de segurança, que abrange cerca de 10% do território libanês.





