São Paulo - Um ministro israelense de extrema direita renunciou ao cargo ontem em protesto contra o plano do primeiro-ministro Ariel Sharon de desocupar a faixa de Gaza, fragilizando ainda mais a coalizão governista e colocando em risco sua maioria parlamentar.
O ministro da Habitação, Effi Eitam, e o vice-ministro, Yitzhak Levy, entregaram seus pedidos de renúncia a Sharon, mas o partido a que pertencem, o Partido Religioso Nacional (PRN), pró-assentamentos, não anunciou se abandona a coalizão.
Parlamentares do PRN disseram estar avaliando uma proposta para permanecerem no governo por pelo menos mais três meses, apesar da aprovação no domingo do plano de desocupação de todos os assentamentos da faixa de Gaza e mais quatro dos 120 da Cisjordânia.
Se o PRN deixar o governo, Sharon perde a maioria parlamentar, sendo obrigado a reformular as alianças ou convocar eleições antecipadas. ''Como um companheiro, um colega de gabinete e um irmão do povo judeu, apelo ao senhor primeiro-ministro: Pare! Não entregue o país ao terror'', disse Eitam, um ex-oficial do Exército, em sua carta de demissão.
O governo de Sharon está ameaçado por uma crise política desde a vitória do plano de retirada numa votação de seu gabinete, por 14 a 7.
Sharon só obteve a vitória depois de se comprometer a não iniciar a retirada nos próximos nove meses, e depois executá-la em quatro fases, cada uma delas sujeita a nova aprovação. Mas os ministros de extrema direita rejeitam a idéia.
Se o plano for realizado, será a primeira vez que Israel remove assentamentos da Cisjordânia e da faixa de Gaza, territórios capturados por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Pesquisas mostram que a maioria dos israelenses é a favor da remoção dos assentamentos, onde vivem 7.500 judeus rodeados por 1,3 milhão de palestinos. Mas o partido de Sharon, o Likud, rejeitou o plano num plebiscito realizado no dia 2 de maio.
Ontem à noite, helicópteros israelenses atacaram com foguetes na noite desta terça-feira uma serralheria na entrada do campo de refugiados de Chatti, em Gaza, segundo testemunhas e fontes da segurança palestina. Não houve informações sobre vítimas.

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