Ministro da Síria comete suicídio
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quarta-feira, 12 de outubro de 2005
Folhapress 
São Paulo - O ministro sírio do Interior, Ghazi Kanaan, de 63 anos, cometeu suicídio ontem em seu escritório, sem deixar qualquer explicação sobre seu ato. Segundo fontes do governo sírio, ele teria sido interrogado dias antes sobre a morte do líder libanês anti-Síria Rafik al Hariri, assassinado em 14 de fevereiro passado em um atentado ocorrido na capital libanesa, Beirute. Há previsão de que seja divulgado, até o final deste mês, um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre as investigações do assassinato de Al Hariri.
Kanaan era membro do Partido Baath sírio e diretor da inteligência síria que atuou no Líbano de 1982 até 2002. Foi nomeado ministro do Interior em 2004. Horas antes de morrer, ele deu uma entrevista a uma rádio libanesa sobre seu suposto envolvimento nas investigações da ONU e na morte do ex-premiê libanês, o que ele negou. Ao concluir disse: ''Creio que este seja o último comunicado que pude fazer''.
Vários jornais libaneses publicaram recentemente que Kanaan estava entre as sete autoridades sírias - que não tiveram seus nomes revelados pelos investigadores da ONU - que vinham sendo interrogadas pela morte de Al Hariri.
''Meu testemunho (...) era para trazer luz a um período em que servimos o Líbano. Infelizmente, a mídia tem mentido e desnorteado a opinião pública'', afirmou, na entrevista. ''Quero deixar claro que nossa relação com nossos irmãos libaneses era baseada no amor e no respeito mútuo. Servimos os interesses do Líbano com honra e honestidade.''
O assassinato de Al Hariri, que foi primeiro-ministro libanês de 1992 a 1998, e depois de 2000 a 2004, provocou um agravamento da crise sírio-libanesa. Meses antes de ser morto, o líder havia abandonado o cargo, por discordar da forte influência exercida pelo presidente sírio, Emile Lahoud, no Líbano.


